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Como o slow fashion está ganhando espaço no Brasil

Em entrevista à Bússola, empreendedora explica conceito que une modelo de produção com responsabilidade ambiental de longo prazo

Movimento valoriza a produção desacelerada, respeito ao meio ambiente e às condições de trabalho dos profissionais do setor (Cavan Images/Getty Images)

Movimento valoriza a produção desacelerada, respeito ao meio ambiente e às condições de trabalho dos profissionais do setor (Cavan Images/Getty Images)

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Publicado em 14 de fevereiro de 2022 às 17h37.

Última atualização em 14 de fevereiro de 2022 às 17h44.

O termo slow fashion, criado por volta do ano de 2004, em Londres, por Angela Murrills, escritora de moda da revista Georgia Straigh, virou tendência no setor de vestuário. Visto como um movimento que valoriza a produção desacelerada, esse conceito se aplica em respeito ao meio ambiente e também às condições de trabalho dos profissionais do setor, o que atrai, principalmente, consumidores que colocam o propositivo como fator decisivo de compra.

O conceito vai totalmente na contramão do fast fashion, uma linha de produção que prioriza a fabricação em massa e oculta os impactos ambientais do ciclo de vida do produto. A Bússola conversou com a diretora de marketing e sócia-fundadora da grife Toda Frida, Daiana Moreira. A marca catarinense de moda retrô apostou no conceito slow fashion desde sua criação.

Bússola: O slow fashion tem ganhado espaço no Brasil, com marcas em busca de alternativas para um consumo mais consciente. Diante disso, você acredita que a prática é apenas um movimento ou um mercado para a moda?

Daiana Moreira: Eu acredito ser um movimento sim, mas também um mercado com oportunidade de crescimento para empresas que querem atingir um público mais consciente de suas escolhas e mais preocupado em consumir produtos que façam sentido em seu lifestyle. Fundamos a Toda Frida em 2014 e o termo slow fashion e o conceito eram algo ainda muito desconhecido no Brasil.

Ao longo dos anos, começamos a abordar o assunto e trazer isso para nossas clientes e para as futuras compradoras da marcas. O que constatamos foi um público que realmente paga e valoriza produtos duráveis, que ao consumir busca saber quem fez a peça e como o fez. Para nós é uma forma de unir um movimento de produção melhor para o planeta no longo prazo, com a oportunidade de negócios e crescimento de um mercado disposto a pagar por isso, justamente por ter a mesma visão de mundo.

Com o crescimento do slow fashion no país, a concorrência também aumenta. Como a Toda Frida se destaca nesse meio e o que a marca busca transmitir com essa prática?

A meu ver, o aumento da concorrência é algo positivo. Significa que mais marcas estão alinhadas no mesmo propósito e isso é melhor tanto para o planeta quanto para quem consome. Na Toda Frida trabalhamos com produtos 100% autorais, você não vai encontrar nada totalmente igual ao que a Toda Frida faz em nenhuma outra marca.

Isso, por si só, já faz com que tenhamos destaque para o público que consome produtos slow fashion no estilo retrô romântico que é nosso nicho de mercado. Além disso, damos às consumidoras uma experiência de compra diferenciada das demais marcas, sempre trazendo novidades que vão além dos produtos em si: presentes, embalagens especiais e atendimento pré e pós venda humanizado e eficiente.

Como você acredita que a moda vai se desenvolver no mundo pós-pandêmico e, talvez, ainda muito consumista?

Tenho visto um movimento crescente de brechós e marcas novas dentro do slow fashion. Ao mesmo passo, observo as fast fashion cada vez mais produzindo aceleradamente as roupas das tendências de influencers, principalmente visando um público mais jovem e ainda imaturo. Penso que as pessoas vão continuar neste modelo de consumo. Durante a pandemia notamos o aquecimento do mercado de moda.

Ao mesmo tempo, percebo que a forma de consumo irá se modificar ao longo dos anos e gerações. Hoje vemos linhas específicas de produtos com maior qualidade dentro de grandes magazines da moda, algo que não imaginávamos pouco tempo atrás. A meu ver, esse é o maior sinal de que teremos sim, ainda muito consumismo no mundo pós-pandêmico, mas, ao mesmo tempo, esse consumismo vai ir se moldando, e o mercado irá se adaptar ao que as gerações mais conscientes querem em questão de qualidade e durabilidade de produtos.

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