TSE decidirá sobre pedidos do PT contra Bolsonaro nesta sexta, diz Gleisi

PT pediu urgência no julgamento de denúncias sobre financiamento por empresas do envio de milhares de mensagens pró-Bolsonaro via Whatsapp
Gleisi Hoffmann: senadora se reuniu com a presidente do TSE, Rosa Weber, para garantir o rápido julgamento dos pedidos (Leonardo Benassatto/Reuters)
Gleisi Hoffmann: senadora se reuniu com a presidente do TSE, Rosa Weber, para garantir o rápido julgamento dos pedidos (Leonardo Benassatto/Reuters)
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Mateus Maia, da Reuters

Publicado em 19/10/2018 às 17:48.

Última atualização em 19/10/2018 às 18:27.

Brasília - A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, afirmou que há expectativa de uma decisão ainda nesta sexta-feira, 19, para as ações movidas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre denúncia de financiamento ilegal a favor do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) para o envio em massa de mensagens pelo WhatsApp contra o petista Fernando Haddad, seu rival.

Após reunião com a presidente do Tribunal, ministra Rosa Weber, Gleisi disse que não houve indicação sobre qual seria o resultado dos pedidos, mas que as matérias seriam despachadas ainda nesta sexta.

"Nós reiteramos o pedido para urgência, ela (Rosa Weber) disse então que hoje ia ter resposta aos nossos pedidos", disse a presidente do PT. "Ela não indicou (o teor da decisão). Ela só disse para nós que hoje despacharia."

Na quinta-feira, 18, o PT entrou com um pedido de investigação judicial contra a candidatura Bolsonaro por abuso de poder econômico e uso indevido de meios de comunicação, com base na suspeita de que a campanha esteja sendo beneficiada pelo disparo em massa de mensagens contra o PT, pagas por empresários simpatizantes do candidato. A presidente do PT defendeu a lisura do tribunal para cuidar das eleições, mas se mostrou preocupada com a atuação da corte em relação à questão.

"Saio muito preocupada da reunião que nós tivemos sobre as condições do Tribunal Superior Eleitoral de enfrentar essa nova situação pela qual está passando o processo eleitoral brasileiro, ou seja, a fabricação de notícias falsas e mentirosas e a disseminação no submundo da internet", disse Gleisi. Ela cobrou respostas imediatas sobre o tema, para que ele não interfira no resultado da eleição - o segundo turno ocorre no próximo dia 28.

"Estamos diante de uma boca de urna digital feita em grandes proporções, que mudou o resultado da eleição praticamente no dia da eleição", criticou. Após a denúncia, Bolsonaro negou que tenha pedido financiamento de empresas e o presidente de PSL, Gustavo Bebianno, qualificou como "palhaçada" a acusação de financiamento ilegal para disseminar notícias falsas no WhatsApp.

Em vídeo divulgado nesta manhã, Bolsonaro foi enfático ao afirmar desconhecer o financiamento do envio em massa de mensagens e pediu para que que quem estiver agindo desse modo pare. Também nesta sexta, o WhatsApp, controlado pelo Facebook, confirmou que baniu a conta do deputado estadual pelo Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro, eleito senador e filho de Bolsonaro, "há alguns dias por comportamento de spam".

O presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, que também esteve presente na reunião no TSE, disse que seu partido também entrou com pedidos para que o tribunal faça com que o WhatsApp "tome medidas para restringir a distribuição das fake news através dos grupos do WhatsApp e das listas de transmissão". Segundo ele, tais medidas seriam temporárias, até o fim das eleições.