Brasil

Sabesp captou mais água que o permitido do volume morto

De acordo a Agência Nacional de Água, a Sabesp tem retirado segunda cota de água do volume morto do Sistema Cantareira sem o aval de agências e contra liminar


	 Sistema Cantareira: ANA encontrou irregularidades na divulgação da medição feita pela Sabesp
 (Divulgação/Sabesp)

Sistema Cantareira: ANA encontrou irregularidades na divulgação da medição feita pela Sabesp (Divulgação/Sabesp)

DR

Da Redação

Publicado em 16 de outubro de 2014 às 10h01.

São Paulo - A água da segunda cota do volume morto do Sistema Cantareira vem sendo retirada pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), mesmo sem o aval das agências reguladoras e contrariando a liminar do juiz da 3ª Vara Federal de Piracicaba, de acordo a Agência Nacional de Água (ANA).

Uma vistoria feita no reservatório Atibainha, um dos cinco que compõem o sistema, às 17h de terça-feira (14), mostrou que o nível armazenado estava 38 centímetros abaixo da cota limite autorizada pela ANA.

O Atibainha tinha, naquele dia, 776,62 metros de profundidade, enquanto o mínimo permitido é 777 metros.

As informações constam de ofício enviado pelo presidente da ANA, Vicente Abreu, ao superintendente do Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee), Alceu Segamarchi Junior.

A ANA encontrou irregularidades na divulgação da medição feita pela Sabesp.

No dia 14, a companhia informava que o reservatório Atibainha estava em 777,02 metros, em vez dos 776,62 metros encontrados na vistoria.

“Constata-se que os dados do sistema da Sabesp estão divergentes daqueles verificados em campo”, diz o documento.

No ofício, a ANA pede ao Daee que tome “providências cabíveis em caráter de urgência, devido à rigorosa estiagem na região”.

Também é solicitada uma nova vistoria conjunta entre a ANA e o Daee para verificar a real situação dos demais reservatórios do Cantareira.

No último dia 10, a Sabesp enviou pedido às agências reguladoras para começar a captar a água da segunda cota do volume morto.

O requerimento diz que a operação integrada do sistema equivalente “compensará as possíveis retiradas do reservatório Atibainha”.

O pedido não foi autorizado pela ANA, que exigiu da Sabesp informações sobre quais seriam os novos níveis limite para os reservatórios Cachoeira e Jaguari-Jacareí.

Segundo o documento, para o uso da água do reservatório Atibainha, é preciso propor uma nova cota limite, acima dos limites já autorizados, nos reservatórios Jaguari-Jacareí e Cachoeira

A Sabesp precisa considerar, também, a liminar da Justiça de Piracicaba e atestar que o uso da segunda cota não prejudicará a vazão necessária para que a água chegue por gravidade à bacia do Rio Piracicaba.

Em resposta aos ofícios da ANA, a Sabesp informou que não está descumprindo nenhuma decisão judicial.

“A empresa esclarece que há no Sistema Cantareira ainda 40 bilhões de litros contando com a primeira reserva técnica. Há ainda mais 106 bilhões de litros da segunda reserva técnica de um total de 450 bilhões de litros”.

Acompanhe tudo sobre:ÁguaEmpresasEmpresas abertasEmpresas brasileirasEmpresas estataisEstado de São PauloEstatais brasileirasSabespSaneamentoServiços

Mais de Brasil

Revolta e incerteza marcam volta de alagamentos em Eldorado do Sul

'Perigo': Inmet alerta para tempestades no RS e Santa Catarina nesta sexta-feira; veja previsão

Datafolha: 66% dos brasileiros são contrários ao PL antiaborto

Mais na Exame