Marcelo Crivella é preso no Rio, acusado de esquema de corrupção

Crivella é investigado em um inquérito que ficou conhecido como o “QG da Propina” — um esquema de corrupção que acontecia dentro da prefeitura do Rio
Além de Crivella foi preso Rafael Alves, homem de confiança do prefeito e apontado como operador do esquema (Tomaz Silva/Agência Brasil)
Além de Crivella foi preso Rafael Alves, homem de confiança do prefeito e apontado como operador do esquema (Tomaz Silva/Agência Brasil)
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Agência O Globo

Publicado em 22/12/2020 às 06:28.

Última atualização em 22/12/2020 às 17:33.

A três dias dias do Natal, foi preso na manhã desta terça-feira o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Bezerra Crivella (Republicanos). O político era investigado em um inquérito que ficou conhecido como o “QG da Propina” -- esquema de corrupção que acontecia dentro da prefeitura.

Além de Crivella foram presos Rafael Alves, homem de confiança do prefeito e apontado como operador do esquema, o vereador Fernando Moraes. O ex-senador Eduardo Benedito Lopes também é alvo ação que é comandada pela Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro (CIAF) e pelo Ministério Público estadual, mas não foi encontrado em casa. A decisão é da desembargadora Rosa Helena Penna Macedo Guita.

Era pouco antes das 6h quando os investigadores chegaram na caso de Crivella, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Quatro carros com policiais e promotores pararam no local. Crivella será levado para a Cidade da Polícia, na Zona Norte.

"Isso é uma perseguição política. Lutei contra todas as empreiteiras, tirei recursos do pedágio, do carnaval, é isso é perseguição. Quero que se faça justiça", disse Crivella logo após a prisão.

A investigação "QG da Propina" mira no governo Crivella está baseada na colaboração premiada do doleiro Sérgio Mizrahy, preso pela operação Câmbio, Desligo no ano passado.

Na delação, homologada pelo Tribunal de Justiça do Rio, Mizrahy se referiu a um “QG da propina” dentro da Riotur e apontou Rafael Alves, homem de confiança do prefeito, como operador do suposto esquema.

O doleiro afirmou na delação que Rafael Alves se tornou um dos homens de confiança de Crivella ao articular doações para sua campanha eleitoral de 2016. Ele ainda contou que Alves emplacou o irmão na presidência da Riotur e viabilizou “a contratação de empresas para a prefeitura e o recebimento de faturas antigas em aberto, deixadas na gestão do antigo prefeito Eduardo Paes, tudo em troca de pagamentos de propina”.

Aos promotores, Mizrahy disse que recebia semanalmente de Rafael cheques de prestadores de serviço da prefeitura. O doleiro contou que um deles era uma propina da empresa Locanty, que faz serviços de limpeza, coleta de lixo e locação de veículos. Embora não tenha contratos na gestão Crivella, a companhia cobra dívidas deixadas pela administração anterior.

Para comprovar o seu depoimento, Mizrahy relata episódios ocorridos nos dias 10 e 11 de maio do ano passado, logo após sua prisão. Diz que dois funcionários da Riotur, empresa comandada pelo irmão de Rafael, estiveram naqueles dois dias na casa de Mizrahy para “resgatar” com a sua mulher cheques destinados ao pagamento de propina da Locanty. O doleiro os chama de Johny e Thiago no depoimento. O GLOBO apurou que seus nomes completos são Jones Augusto Xavier de Brito e Thiago Vinícius Martins Silva, e que, de fato, estiveram empregados na Riotur naquele período — atualmente, apenas Thiago continua na empresa municipal, lotado no gabinete da presidência; Jones desligou-se em julho deste ano da Riocentro S.A.