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A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu que Sergey Vladimirovich Cherkasov, russo suspeito de atuar como espião no Brasil, continue preso preventivamente. A defesa havia solicitado que ele fosse solto ou enviado para cumprir pena na Rússia.

Cherkasov está preso na Penitenciária Federal de Brasília, onde cumpre pena de cinco anos e dois meses por uso de documento falso. Ele também foi indiciado pela Polícia Federal (PF) por lavagem de dinheiro e associação criminosa.

No ano passado, o ministro Edson Fachin, do STF, homologou uma declaração de entrega voluntária apresentada por Cherkasov. Essa declaração ocorre quando o alvo de um pedido de extradição concorda em se entregar voluntariamente ao país requerente — neste caso, a Rússia.

Entretanto, a decisão de Fachin ressaltou que a extradição só poderá ocorrer quando forem encerradas as investigações contra o russo que tramitam na Justiça brasileira. Por isso, ele continua no país.

A PGR ressaltou que Cherkasov responde no Brasil a outros processos, inclusive o inquérito que investiga a possível espionagem, e por isso ainda não pode ser extraditado. Em relação ao pedido de liberdade, o órgão considerou que a prisão é necessária para permitir a futura extradição.

Cherkasov está sendo representado pela Defensoria Pública, que argumenta que a pena a qual ele foi condenado deveria ser cumprida no regime semiaberto. Além disso, aponta que os demais processos "podem levar muitos anos para serem concluídas", inclusive com a chance de absolvição, e que ele não pode ser mantido "por tempo indeterminado aguardando-se tais desdobramentos".

Governo russo nega espionagem

Cherkasov criou uma identidade brasileira falsa há mais de dez anos, em nome de Victor Müller Ferreira. Com esse documento, ele estudou na Irlanda e nos Estados Unidos e tentou entrar na Holanda para trabalhar no Tribunal Penal Internacional, em Haia, que julga crimes de guerra. Para a PF, o objetivo dele era obter informações sensíveis para a Rússia, que está em guerra com a Ucrânia.

A descoberta da farsa ocorreu na tentativa de entrar na Holanda, em abril de 2022. Enviado de volta ao aeroporto de Guarulhos, o estrangeiro foi preso e processado na Justiça Federal em São Paulo por uso de documento falso. Logo após sua condenação em primeira instância, em junho de 2022, a Rússia pediu a extradição do suposto espião.

As autoridades russas sustentaram que Cherkasov não era um espião, mas sim um traficante ligado a um grupo criminoso, liderado por um cidadão do Tadjiquistão, que fornecia heroína da região de Moscou para Lipetsk. O governo de Vladmir Putin pede a sua extradição para que cumpra a pena na Rússia.

Como mostrou O GLOBO, porém, a PF identificou indícios que o russo contava com uma rede de apoio no Brasil que tinha a participação de um funcionário da diplomacia russo. Esse agente diplomático também foi indiciado pela PF. As investigações apontam que o estrangeiro recebeu em sua conta depósitos mensais feitos em uma agência bancária do Rio pelo servidor da Embaixada da Rússia.

Espião russo foi descoberto em abril de 2022

O espião russo foi descoberto em abril de 2022, quando tentava entrar com o passaporte brasileiro falso em Amsterdã, na Holanda, para fazer um estágio no Tribunal Internacional de Haia. O governo holandês o mandou de volta ao Brasil.

Em audiência, pediu para ser extraditado. O governo russo formalizou um requerimento para que ele responda, no país, a supostas acusações de tráfico de drogas. A reportagem do "Fantástico" informou que o suposto espião recebeu visitas de representantes russos na cadeia.

Os Estados Unidos também têm interesse no caso, porque Sergey Cherkasov fez mestrado em relações internacionais, entre 2018 e 2020, na Universidade Johns Hopkins, em Washington, o que coloca o Brasil no centro de uma crise diplomática.

A decisão da Justiça sobre o destino de Cherkasov só deve ser tomada depois que a Polícia Federal concluir a investigação sobre as suspeitas de espionagem no Brasil.

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