Ataque cibernético: Mensagens com a inscrição “Defesa Civil: misantropi4” assustaram usuários de vários estados na madrugada deste sábado (Imagem gerada por IA/EXAME)
Redação Exame
Publicado em 20 de junho de 2026 às 14h34.
Uma sequência de ao menos 10 alertas falsos de emergência da Defesa Civil foi disparada para telefones celulares em diferentes regiões do país na madrugada deste sábado, 20.
De acordo com a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, o estado do Paraná foi o ponto de partida do ataque hacker que violou as barreiras de segurança da plataforma federal.
As notificações fraudulentas começaram no final da noite de sexta-feira e avançaram pela madrugada. O governo foi forçado a desligar o sistema preventivamente por volta de 1h30.
O caso, classificado pelas autoridades como um "desserviço à nação", foi encaminhado oficialmente à Polícia Federal (PF), que liderará as investigações criminais para identificar e punir os autores do ataque cibernético.
O ataque acionou nos smartphones a categoria de "Alerta Extremo", um protocolo internacional de segurança reservado exclusivamente para situações de risco iminente à vida — como desastres naturais, tempestades severas ou enchentes.
As mensagens eram acompanhadas de um forte aviso sonoro, mesmo com os aparelhos no modo silencioso.
Em vez de instruções de evacuação, o texto exibia termos desconexos e a palavra “misantropia” (ou “misantropi4”), expressão que significa aversão, desconfiança ou ódio à humanidade.
Os disparos em massa foram identificados em pelo menos seis unidades da federação:
De acordo com o secretário nacional de Defesa Civil, Wolnei Wolff, o ataque expôs uma vulnerabilidade na gestão de acessos do sistema. A plataforma utiliza a tecnologia Cell Broadcast (transmissão via rádio que envia mensagens para qualquer celular conectado às torres de uma região, sem necessidade de cadastro).
Os acessos ao painel de controle são descentralizados e distribuídos para operadores estaduais. Teoricamente, uma credencial regional jamais deveria ter permissão para emitir comunicados a outros estados.
"O que parece ter ocorrido é que se cadastraram no sistema e fizeram o primeiro alerta a partir de Curitiba (PR). A nossa equipe técnica bloqueou essa credencial. Logo em seguida, os invasores utilizaram outro usuário clonado ou criado externamente e dispararam novas mensagens de locais diferentes", explicou Wolff.
Logo após o incidente, as defesas civis estaduais de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná emitiram notas oficiais de esclarecimento. Os órgãos reforçaram que não houve emissão por parte de suas equipes locais e tranquilizaram a população, confirmando a total ausência de qualquer fenômeno meteorológico ou desastre natural que justificasse o aviso de perigo.
O governo federal admitiu que o episódio gera um desgaste severo na credibilidade de uma ferramenta vital para a segurança pública. Para mitigar o problema, a equipe de tecnologia da informação passou a madrugada trabalhando no desenvolvimento de uma nova versão do Defesa Civil Alerta, projeto que já estava em andamento desde o início do ano. A nova plataforma promete implementar travas de segurança robustas e critérios de autenticação de dois fatores muito mais rígidos antes de retornar ao ar.
(Com O Globo)