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'Não temos espaço para radicalismos e excessos', diz Lira

Presidente da Câmara faz pronunciamento objetivo com apelo à pacificação e defesa da democracia após atos do 7 de setembro; Senado suspende sessões

 (Bloomberg/Getty Images)

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Carla Aranha

Publicado em 8 de setembro de 2021 às 13h42.

Última atualização em 8 de setembro de 2021 às 14h17.

Diante do discurso de Jair Bolsonaro em São Paulo nesta terça, 7, no qual o presidente afirmou que não receberá "ordens" do Supremo Tribunal Federal (STF) e chamou o ministro Alexandre de Moraes de "canalha", o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), decidiu realizar um pronunciamento nesta quarta, 8, em sua primeira fala após os atos de 7 de setembro. Em um discurso objetivo, Lira disse que não há "espaço para radicalismo e excessos" e acrescentou que "é hora de dar basta a essa escalada de um infinito looping negativo".

Lira também frisou que não há mais como questionar o voto eletrônico, garantindo que as eleições de 2022 serão realizadas com "serenidade e segurança". Ao defender a democracia, o presidente da Câmara disse que "vale lembrar que temos nossa Constituição que jamais será rasgada". Ele também frisou a importância de manter o foco no "Brasil real", às voltas com a inflação e outros impasses econômicos. "Nossa Casa tem compromisso com o Brasil real, que vem sofrendo com a pandemia, com o desemprego e a falta de oportunidades", afirmou.

Nesta terça, as falas de Jair Bolsonaro durante as manifestações do 7 de setembro elevaram a temperatura no ambiente político. O presidente criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) e disse que não irá receber "ordens" da Corte. Bolsonaro também se referiu ao ministro Alexandre de Moraes, pedindo que ele fosse "enquadrado" por Luiz Fux, presidente do STF, e voltou a criticar as urnas eletrônicas. "Não posso admitir questionamentos sobre decisões tomadas e superadas, como a do voto impresso", rebateu Lira em sua fala nesta quarta.

Tensão política

Com as tensões se elevando em Brasília, o PSDB anunciou que deverá debater o impeachment em reunião nesta quarta, 8. É a primeira vez que a executiva tucana é convocada para discutir o tema. O MDB é outra legenda que deve discutir o assunto de forma mais enfática. Desde o início do governo, foram protocolados mais de cem pedidos de impeachment na Câmara.

Os pronunciamentos do presidente durante o feriado repercutiram rapidamente no Congresso. O presidente do SenadoRodrigo Pacheco (DEM-MG), da base aliada do governo, suspendeu as sessões deliberativas do plenário e das comissões na Casa previstas para esta quarta e para a quinta-feira. "A Presidência comunica às senadoras e aos senadores que estão canceladas as sessões deliberativas remotas e as reuniões de comissões previstas para os dias 8 e 9 de setembro", informou o Senado na terça, 8, após os discursos de Bolsonaro em Brasília e São Paulo.

A escalada das tensões políticas já vêm refletindo no mercado. Nesta quarta, o Ibovespa já cai 2,7% e e o dólar bate os R$ 5,30 em alta de mais de 2,4%.

As movimentações em Brasília não param desde ontem à noite. Os ministros do STF se reuniram na noite de terça, 7, para discutir os pronunciamentos do presidente Jair Bolsonaro no 7 de setembro e decidiram por um posicionamento público do ministro Luiz Fux durante a abertura da Corte nesta quarta, 8.

Enquanto isso, o clima segue tenso em Brasília. Nesta manhã, apoiadores do governo tentaram invadir o Ministério da Saúde. Manifestantes acampados na Esplanada dos Ministérios bateram boca com um servidor aposentado do Ministério da Saúde e o perseguiram até a entrada da sede da pasta. Segundo o relato de um servidor, seguranças do próprio ministério colocaram o aposentado para dentro do prédio e fecharam as portas. Os manifestantes ficaram do lado de fora. Eles também foram atrás de uma equipe de TV, que conseguiu fugir.

Na manifestação do feriado da independência na avenida Paulista, em São Paulo, Bolsonaro fez críticas à atuação do STF e voltou a defender o voto impresso, apesar da proposta ter sido rejeitada pela Câmara em agosto. "Quando alguém do Poder Executivo começa a falhar, eu converso com ele. Se ele não se enquadra, eu demito. No Legislativo não é diferente. Quando um deputado ou senador começa a fazer algo que incomoda a todos nós, e que está fora das quatro linhas, geralmente se aciona o conselho de ética e ele pode perder o seu mandato. Já no nosso Supremo Tribunal Federal um ministro ousa continuar fazendo aquilo que nós não admitimos, um ministro que deveria zelar pela nossa liberdade, pela democracia, pela Constituição e faz exatamente o contrário. Ou esse ministro se enquadra ou ele pede pra sair", afirmou.

 

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