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Guarda em Ouro Preto destrói tapete em homenagem a Marielle; veja vídeo

Nas imagens, um guarda chuta as serragens e destrói o tapete. Pessoas protestaram e gritaram: "Marielle vive"
Marielle: ex-vereadora carioca e seu motorista Anderson Gomes foram assassinados na noite de 14 de março de 2018 (Agência Brasil/Marcelo Camargo)
Marielle: ex-vereadora carioca e seu motorista Anderson Gomes foram assassinados na noite de 14 de março de 2018 (Agência Brasil/Marcelo Camargo)
Por Estadão ConteúdoPublicado em 22/04/2019 13:00 | Última atualização em 22/04/2019 13:00Tempo de Leitura: 3 min de leitura

São Paulo — Um vídeo que circula nas redes sociais mostra um guarda municipal de Ouro Preto (MG) pisoteando, na Semana Santa, um tapete de serragens que homenageava a vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada a tiros em março de 2018, no Rio. O tradicional tapete faz parte da comemoração religiosa da Páscoa na cidade.

Nas imagens, um guarda chuta as serragens e destrói o tapete. Populares protestaram e gritaram: 'Marielle vive'. Ouro Preto tem cerca de 74 mil habitantes. A cidade histórica fica a 1h40 da capital mineira, Belo Horizonte.

A confecção do tapete de serragens reúne milhares de pessoas a cada Páscoa. O objetivo dos tapetes é enfeitar a Procissão da Ressurreição.

A destruição do tapete gerou reação nas redes sociais da prefeitura. No Facebook, internautas reclamaram da ação da Guarda Municipal. "Simplesmente vergonhosa a ação da guarda municipal destruindo os lindos tapetes que homenageavam uma pessoa que, como Jesus, lutava contra a opressão", escreveu um homem.

Outro internauta afirmou. "Lamentável ver um bárbaro e covarde pisoteando o tapete de flores! Se a prefeitura não afastar esses fascistas da guarda municipal, a cidade não merece receber visita de quem tem apreço e respeito pela democracia!"

Um terceiro escreveu. "Absurdo total, muito vergonhosa a atitude."

Marielle e Anderson

A ex-vereadora carioca e seu motorista Anderson Gomes foram assassinados na noite de 14 de março de 2018. Quase um ano depois, em 12 de março de 2019, a Polícia Civil do Rio prendeu o policial reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Elcio Vieira de Queiroz (expulso da corporação).

O Ministério Público do Rio denunciou Ronnie Lessa e Elcio Vieira de Queiroz por homicídio qualificado e por tentativa de homicídio de Fernanda Chaves, uma das assessoras da ex-vereadora que também estava no carro emboscado. Dias depois, o juiz Gustavo Gomes Kalil, da 4ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, aceitou denúncia do Ministério Público e colocou no banco dos réus os ex-policiais militares.

A Promotoria afirma que Ronnie Lessa efetuou os disparos de arma de fogo. Elcio Queiroz, segundo a investigação, conduziu o veículo usado na execução.

"O denunciado Ronnie Lessa foi o autor direto dos disparos e responsável pelo planejamento da empreitada criminosa, tendo organizado prévia e meticulosamente suas etapas e a forma de agir", afirmou o Ministério Público do Rio na acusação formal apresentada à Justiça em março.

"O denunciado Elcio, amigo e compadre de Ronnie Lessa, concorreu dolosa e eficazmente para o crime, na medida em que foi o condutor do veículo Cobalt, placa clonada KPA 5923, utilizado na empreitada criminosa, sendo certo que o auxiliou moral e materialmente visando ao sucesso do crime, aderindo a todas as circunstâncias."

A reportagem fez contato com a Guarda Municipal e com a Prefeitura de Ouro Preto, mas não obteve respostas. O espaço está aberto para manifestação.