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Gleisi espera transição mais tranquila possível; Bolsonaro ainda não fez contato

Presidente do Partido dos Trabalhadores também falou sobre o contato do Presidente Eleito, Luiz Inácio, com lideranças mundiais

 (Adriano Machado/Reuters)

(Adriano Machado/Reuters)

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Estadão Conteúdo

31 de outubro de 2022, 16h06

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou nesta segunda, 31, que espera uma transição de governo "mais tranquila e razoável possível" e mostrou confiança nas "instituições sólidas do País" apesar de o presidente Jair Bolsonaro (PL) ainda não ter entrado em contato com o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. "Isso é ruim para o Brasil", avaliou a líder petista.

"Tivemos primeira reunião interna hoje para iniciar tratativas, mas não fizemos nenhum contato ainda", declarou Gleisi sobre a equipe de Bolsonaro. Outra reunião será feita amanhã. Ainda assim, a dirigente garantiu que ela vai procurar o governo federal. "Tem representantes dos partidos políticos que apoiaram Bolsonaro. Vamos entrar em contato com eles. Temos responsabilidade com o País e vamos querer que a coisa seja o mais tranquila e razoável possível", acrescentou, destacando a necessidade de conversar não apenas com o Congresso eleito, mas com o atual.

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O PT ainda tem 48 horas para se organizar e anunciar a equipe da transição, ressaltou a presidente do PT, que nega qualquer definição até o momento. Os nomes mais cotados para comandar a transição são o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB) e o coordenador do programa de governo, Aloizio Mercadante (PT).

De acordo com Gleisi, Lula já conversou com várias lideranças internacionais, como o chanceler da Alemanha, Olaf Scholz; o presidente da França, Emmanuel Macron; o secretário-geral da ONU Antônio Guterres; e o presidente de Cuba, Miguel Diaz-Canel. O presidente e o primeiro-ministro de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa e Antônio Costa, também telefonaram.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, tentou contato, mas enfrentou problemas técnicos, disse Gleisi, confirmando bastidor publicado mais cedo pelo Broadcast Político, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. A ligação será retomada à tarde. Lula também vai retornar um telefonema para o presidente do México, López-Obrador.

"Reconhecimento internacional mostra que mundo reconhece liderança de Lula", afirmou Gleisi a jornalistas em um hotel em São Paulo. De acordo com a dirigente, relações com países se direita serão feitas de maneira normal no governo eleito. "O mundo estava de olho na eleição do Brasil e a vitória do presidente Lula traz alívio", seguiu a dirigente, que confirmou a informação dada por Lula ontem de que o petista deve fazer uma viagem internacional ainda neste ano.

Paralisação dos caminhoneiros

Gleisi Hoffmann (PR), afirmou também que o presidente Jair Bolsonaro (PL) deve resolver os bloqueios de caminhoneiros a favor do atual governo, derrotado ontem nas urnas. Manifestantes e caminhoneiros interditaram rodovias como a Dutra em protesto contra a vitória do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"São bloqueios políticos e estão causando prejuízo ao Brasil e à população brasileira. Quero lembrar que quem é o presidente do Brasil nesse momento é Jair Messias Bolsonaro. A responsabilidade sobre isso é dele e dos órgãos que ele governa. Ele tem que resolver isso para não prejudicar a população", declarou Gleisi a jornalistas em São Paulo. Lula reuniu-se hoje com Gleisi e outros caciques do PT para iniciar as discussões sobre a transição.

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