Na contramão da crise hídrica, energia solar bate recorde no Nordeste

O Operador Nacional do Sistema Elétrico anunciou ter registrado nesta semana recorde instantâneo de geração de energia solar fotovoltaica. O recorde anterior já havia sido batido em julho

Na contramão da seca em todo o Brasil e os desafios de geração de energia nas usinas hidrelétricas, a rede de energia solar na região Nordeste, a principal do país nesta frente, registrou recorde de geração nesta semana.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) anunciou que o recorde de geração instantânea foi batido na manhã de quinta-feira, 26. Foi registrado às 11h57 um pico de 2.336 megawatts (MW).

O montante foi suficiente para atender a 20% de toda a demanda elétrica da região naquele minuto.

A rede de energia solar da região Nordeste vem batendo recordes nos últimos meses, enquanto a matriz hidrelétrica sofre com a falta de chuvas.

O recorde anterior já havia sido batido em 19 de julho, com 2.211 MW de geração  de energia solar instantânea.

A região Nordeste abriga a maior parte das usinas solares fotovoltaicas e eólicas (geração a partir do vento) no Brasil. A energia gerada também é exportada a outras regiões.

Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar)a região tem mais de 2,4 GW de usinas fotovoltaicas em operação, 70% da capacidade instalada de geração centralizada no Brasil. 

Matriz energética brasileira

A energia solar representa 2% da matriz brasileira, e o ONS aponta que a expectativa é atingir 2,7% até o fim do ano.

Segunda o ONS, em 2020, a matriz brasileira foi representada pelas seguintes fontes de energia:

  • Solar fotovoltaica: 1,85%
  • Nuclear: 1,20%
  • Eólica: 10,06%
  • Térmica: 21,44%
  • Hidrelétrica: 65,45%

A projeção é que, em 2025, a energia solar represente 4% da matriz energética brasileira e a energia eólica chegue a 13% do total. As hidrelétricas devem cair para 59%.

Nacionalmente, além das grandes usinas, os pequenos sistemas de geração de energia solar, instalados nos telhados de residências e empresas, também triplicaram sua geração nos últimos 12 meses

Projetos residenciais respondem por sete em cada dez instalações de painéis solares no Brasil. Só esses sistemas atingiram 3 GW de potência instalada, o suficiente para abastecer 1,2 milhão de casas

Crise hídrica

O Brasil vive a maior estiagem dos últimos 91 anos neste inverno, o que tem afetado diretamente a geração de energia.

A capacidade de muitos reservatórios usados para geração de energia nas usinas hidrelétricas já se encontra muito baixa, segundo o ONS.

Com a alta participação das hidrelétricas, de acordo com os últimos dados do órgão, na sexta-feira, 27, o subsistema Sudeste/Centro-Oeste tinha Energia Armazenada (EAR) em somente 22% do total e no Sul, 29%. No subsistema Nordeste o percentual estava em 50% do total e no Norte, em 72%.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou que o Brasil seguirá com tarifa de energia elétrica na faixa da "bandeira vermelha 2", a mais cara e no geral usada quando é preciso complementar a geração de energia amplamente com usinas termelétricas.

A bandeira vermelha está em vigor desde maio e a bandeira vermelha 2, desde junho. A faixa 2 inclui uma cobrança adicional de 9,492 reais para cada 100 kWh consumidos de energia elétrica.

Especialistas e técnicos já debatem também um possível aumento na tarifa da bandeira vermelha 2, que pode ir de 50% a 150%, fazendo a taxa adicional chegar à casa dos 20 reais. A Aneel deve informar um aumento na próxima semana.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou nesta sexta-feira (27) a manutenção da bandeira vermelha 2, em vigor desde junho, para o mês de setembro. A decisão ocorre em meio a uma seca histórica na região das hidrelétricas.

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