Eleição presidencial nos EUA: a Flórida vai soltar os crocodilos?

A Flórida tem 29 delegados no colégio eleitoral. Isso significa mais de 10% da quantidade necessária (270) para eleger o presidente dos Estados Unidos

Os “sewer gators” ou “sewer alligators” (aligátors do esgoto – ou “primos” de jacarés e crocodilos) são uma lenda urbana de quase 100 anos nos Estados Unidos. Dizem que vários desses bichos gigantes moram nos esgotos de Nova York e são capazes de engolir pessoas inteiras que descem ali para trabalhar. Tais teriam ido parar ali depois que várias famílias foram à Flórida passar as férias, trouxeram filhotes de volta e, quando esses começaram a crescer, foram jogados na privada e em seguida desembarcaram nos esgotos da Big Apple.

A prefeitura de Nova York nega que isso seja verdade, porém, esta lenda surgiu de um fato relatado no New York Times nos anos 30, quando corpos desses animais foram encontrados no rio do Bronx. O fato é que virou uma lenda urbana vinda da Flórida. Em 2020, um pilar central da decisão dessa eleição legendária virá da terra dos crocodilos. E motivos para todos ficarmos atentos a esse estado em particular não faltam.

Primeiro, a Flórida tem 29 delegados no colégio eleitoral. Isso significa mais de 10% da quantidade necessária (270) para eleger o presidente dos Estados Unidos. Só fica atrás da Califórnia e do Texas (e empata com estado de Nova York).

Segundo, desde 1972 (com somente uma exceção – 1992) o vencedor nesse estado ganha a Casa Branca. E com diferenças mínimas de votos: Barack Obama venceu Mitt Romney em 2012 com menos de 1 ponto percentual de diferença. Donald Trump teve apenas 1.2 pontos percentuais de votos a mais que Hillary Clinton. As eleições majoritárias de 2018 (governo do estado e senado), ambas vencidas por republicanos, também apresentaram margens estreitas e similares.

Em 2000, George W. Bush venceu lá por 537 votos o democrata Al Gore. A disputa gerou uma polemica sobre recontagem de votos que acabou sendo decidida somente na Suprema Corte Americana. Em 2020, a possibilidade de uma disputa jurídica para determinar o ganhador do estado é real. Todas as pesquisas públicas mostram um empate técnico entre Joe Biden e o candidato republicano (inclusive a pesquisa EXAME/IDEIA que mostrou Biden com 48% e Trump 47%). Ou seja, impossível apontar o resultado previamente.

A boa notícia (para quem pretende acompanhar a votação no dia 03 de novembro) é que a Flórida se modernizou na apuração dos votos (incluindo os votos pelo correio) e provavelmente saberemos quem venceu lá ainda na noite da eleição. E tal terá implicações importantes para o restante da apuração nacional.

Em situação diferente, estados como Pennsylvania, Michigan, Geórgia, Wisconsin e Arizona podem tem potencial de se complicar na apuração dos votos (ainda mais com um contingente grande de votos antecipados pelo correio). Sendo assim, muito provável que a apuração nesses locais se prolongue.

Portanto, o resultado dos “sunshine state” pode soltar ou não os “crocodilos/jacarés” pelo restante da contagem de votos. Caso Biden ganhe, a apuração será apenas uma contagem regressiva para a confirmação da vitória democrata. O mapa republicano de vitória presidencial beiraria o impossível. Todavia, se Donald Trump repetir 2016 e sair exitoso da terra do Mickey teremos muito ruído no processo.

Os republicanos irão lutar para “desmontar a fraude” do voto pelo correio e os democratas devem brigar para que cada voto seja contado. Se abrirão os esgotos para os “crocodilos” invadirem os tribunais e os “jacarés” ocuparem as ruas. Os efeitos dessa rota são imprevisíveis. Porém, tudo que a democracia dos Estados Unido não precisa agora é outra lenda urbana vinda da Flórida.

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