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De potência alimentar a referência em tecnologia: a aposta agrícola do Brasil

Exportações brasileiras de bioinsumos cresceram 31,1% até setembro; setor mira novos mercados na África, Europa e América Latina

Colheita da soja em Mato Grosso: estado é um dos principais produtores de soja do Brasil (Alexis Prappas/Exame)

Colheita da soja em Mato Grosso: estado é um dos principais produtores de soja do Brasil (Alexis Prappas/Exame)

EFE
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Agência de Notícias

Publicado em 21 de outubro de 2026 às 09h47.

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Uma das maiores potências alimentares do mundo, o Brasil busca agora consolidar sua liderança internacional no desenvolvimento e na exportação de tecnologias sustentáveis para o setor e, para isso, aposta nos bioinsumos agrícolas, fundamentais para elevar a produtividade, enfrentar a mudança climática e contribuir para a segurança alimentar global.

“O objetivo é abrir mercados para os bioinsumos brasileiros, mas também posicionar o Brasil como um país que produz sua própria tecnologia para a agricultura tropical”, explicou em entrevista à EFE Ana Repezza, presidente da CropLife Brasil, associação civil sem fins lucrativos que reúne 53 empresas do agronegócio.

Para Repezza, reforçar essa imagem do Brasil como um país que também produz tecnologia é “tão importante quanto gerar negócios e promover as exportações”, que registram crescimentos expressivos no segmento.

Mercado em expansão

Entre janeiro e setembro, as exportações brasileiras de bioinsumos totalizaram US$ 68,5 milhões, 31,1% a mais que no mesmo período de 2025, com a Argentina como principal destino, seguida por Colômbia, Paraguai, Países Baixos e Estados Unidos, segundo dados da plataforma CropData.

O mercado interno movimentou cerca de US$ 358,5 milhões no primeiro semestre, 9,6% a mais que no mesmo período de 2025.

A superfície tratada com bioinsumos alcançou 46 milhões de hectares, um aumento de 18,3% em relação ao primeiro semestre de 2025.

Da mesma forma, o Brasil concedeu em 2025 um recorde de 162 novos registros de bioinsumos e contabiliza em 2026 um total de 1.016 registros ativos destes produtos, utilizados principalmente para proteger os cultivos contra pragas, estimular o crescimento das plantas e melhorar a nutrição do solo.

Liderança brasileira

De acordo com Repezza, essa liderança do Brasil no segmento se deve, em grande medida, à agricultura tropical, que exige um manejo integrado com diferentes tecnologias para garantir que os cultivos possam fazer frente às condições climáticas e à pressão das pragas.

“São tecnologias necessárias para garantir os níveis de produtividade que temos na agricultura tropical. Então, o grande valor dos insumos está em sua complementariedade com outras tecnologias, elevando ainda mais a produtividade”, acrescentou.

Além disso, o Brasil conta com uma trajetória de 70 anos de pesquisa em bioinsumos encabeçada pela Embrapa e investimentos de companhias privadas, impulsionados pela crescente importância dessas tecnologias diante de fenômenos climáticos extremos cada vez mais frequentes.

“(Os bioinsumos proporcionam) ganhos de produtividade fundamentais para garantir a segurança alimentar, não só no Brasil, mas no mundo”, afirmou Repezza.

Segundo a presidente da CropLife Brasil, a África é um dos mercados mais promissores para os bioinsumos brasileiros, junto com a América Latina e outras regiões tropicais, incluindo algumas áreas dos Estados Unidos.

Na Europa, ela também identifica oportunidades em Espanha, Portugal, Itália e Grécia, onde determinados cultivos e estações apresentam condições climáticas similares às do Brasil.

Para impulsionar o acesso a esses mercados, a ApexBrasil e a CropLife criaram em 2025 o Renera, projeto pioneiro de bioinsumos concebido como uma “ponte entre a ciência que já funciona no campo e os mercados que precisam dela”.

Por meio de feiras, missões comerciais, rodadas de negócios e visitas de compradores estrangeiros, a iniciativa conecta as empresas brasileiras com possíveis parceiros internacionais, facilita sua entrada em novos mercados e busca reforçar sua competitividade e o reconhecimento de suas tecnologias por sua qualidade, escala e respaldo científico.

“O Brasil deixa de ser apenas exportador de alimentos para se transformar também em exportador de tecnologia para produzi-los. E essa exportação tem um valor agregado ainda maior”, destacou Repezza, ex-diretora de Negócios da ApexBrasil.

Segundo a executiva, vincular a imagem do Brasil como potência alimentar com sua capacidade de desenvolver tecnologia própria também fortalece seu posicionamento em sustentabilidade, um atributo cada vez mais valorizado pelos consumidores internacionais

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