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Agro do RS estima perdas de R$ 3 bilhões em áreas de grãos alagadas

Segundo o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, o cálculo ainda é preliminar e feito com base na área de produção inundada

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 27 de maio de 2024 às 19h26.

Última atualização em 27 de maio de 2024 às 19h47.

O agronegócio gaúcho estima um prejuízo de R$ 3 bilhões com a produção de grãos nas áreas que alagaram após as fortes chuvas que vitimaram 169 pessoas e deixaram meio milhão de desabrigados. As estimativas são da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) em parceria com o projeto S.O.S Agro RS, que representa 2.025 produtores do estado.

Segundo o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, o cálculo ainda é preliminar e feito com base na área de produção inundada. A estimativa não considera potenciais perdas em áreas não inundadas. Segundo o estudo, 347 produtores informaram prejuízos, totalizando pouco mais de R$ 467,6 milhões — média de R$ 1,4 milhão por ocorrência.

Do total de agricultores da pesquisa, 73% são pequenos produtores. Os relatos de perdas variam entre R$ 100 mil para pequenas propriedades até R$ 25 milhões para grandes propriedades.

A área total de cultivo de produtores rurais pesquisados é de 33 mil hectares. A cultura mais afetada foi a da soja, com 15 mil hectares. Segundo o levantamento, o produto já estava pronto para colher, mas não foi possível por causa das chuvas.

A maioria dos produtores que participaram da pesquisa afirmaram que precisam de crédito para a retomada da safra, e 60,4% afirmam que estão "muito pessimista" com a expectativa de seu negócio para os próximos dois meses. Cerca de 19% reconhecem que vão ter uma redução no desempenho.

S.O.S Agro RS

Segundo Graziele de Camargo, produtora e liderança do S.O.S Agro RS, alguns produtores do estado somente vão se recuperar completamente das perdas em, no mínimo, dez anos. O presidente da Farsul, Gedeão Pereira, afirmou que o agro do Rio Grande do Sul já chegou fragilizado nessa safra por causa das secas e precisa de novas linhas de crédito para os produtores.

A proposta da entidade é de uma linha com prazo de 15 anos, com dois anos de carência e amortização de 3%. A expectativa do setor é que a instalação itinerante do Ministério da Agricultura no estado ajude a agenda a avançar. 

No total, a projeção parcial de perdas com as chuvas passa de R$ 10,5 bilhões, segundo a Confederação Nacional dos Municípios. A expectativa do levantamento do CNM é de R$ 2,94 bilhões na agricultura e pecuária.

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