Twitter apagará publicações falsas sobre eleição nos EUA a partir de hoje

De acordo com a empresa americana, a meta é "proteger as pessoas contra conteúdos que podem suprimir os votos". Mas será o suficiente?

Em mais uma manobra das redes sociais para impedir a desinformação em tempos de eleições nos Estados Unidos, o Twitter começa, a partir desta quinta-feira, 17, a deletar e sinalizar tuítes que contenham informações falsas sobre qualquer um dos candidatos à presidência dos EUA. Segundo uma publicação feita no blog da rede social, a iniciativa foi tomada visto que os usuários cada vez mais usam a plataforma como um meio de informação e de buscar notícias. “Quanto mais as pessoas procuram formas de votar e de expressar seus direitos civis fundamentais de forma segura durante a pandemia da covid-19, maior a necessidade de informação sobre esses assuntos”, informou o Twitter.

De acordo com a empresa americana, a meta é “proteger as pessoas contra conteúdos que podem suprimir os votos e ajudar a parar a desinformação perigosa que pode comprometer a integridade das eleições e de outros processos cívicos”. A rede social também apagará, no ato, afirmações de usuários que possam minar o próprio sistema político do país — como informações não verificadas sobre fraude eleitoral, falsificação de cédulas, contagem de votos ou certificados de resultados eleitorais.

Os tuítes que forem marcados como não confiáveis, como já acontece na rede social, terão sua visibilidade reduzida entre a comunidade de usuários, o que significa que as publicações não serão mais amplificadas para um número maior de pessoas além das que seguem uma determinada conta — e os seguidores poderão dar like e retuitar as publicações da mesma forma. “As pessoas não podem usar os serviços do Twitter para manipular ou interferir nas eleições”, afirmou a rede social.

Essa não é a primeira vez que o Twitter se movimenta para evitar fake news em tempos delicados. No final de maio, Jack Dorsey, presidente do Twitter, tomou partido acerca de duas publicações de Donald Trump nas redes sociais tidas como enganosas e prejudiciais. Em uma delas, Trump dizia que as caixas de correio seriam roubadas e as cédulas de votação, usadas na eleição presidencial, seriam fraudadas. Em outra, Trump atacou Gavin Newsom, governador da Califórnia, dizendo que o político estaria enviando cédulas a milhões de pessoas. As duas mensagens foram sinalizadas pelo Twitter como duvidosas, e pela primeira vez os tuítes de um presidente americano receberam um selo de alerta — mostrando que nem os poderosos estão imunes a esse tipo de banimento.

Do outro lado da internet, o Facebook, de Mark Zuckerberg, decidiu que vai banir anúncios políticos na semana das eleições americanas. “Esta eleição não vai ser business as usual. Todos temos a responsabilidade de proteger nossa democracia”, escreveu Zuckerberg. Os anúncios políticos, na prática, continuarão existindo, mas não poderão ser impulsionados. Uma ação que, para os críticos da rede social, não será o suficiente.

Muitos acreditam, inclusive, que Zuckerberg teve um papel crucial na eleição de Trump ao permitir que certas propagandas falsas fossem veiculadas em sua rede social. Em 2016, no ápice das discussões sobre a participação do Facebook em influenciar a opinião das pessoas, Zuckerberg disse “os eleitores fazem suas decisões com base em suas vivências e a ideia de que notícias falsas no Facebook influenciaram a eleição é maluca”.

Mas o discurso de Zuckerberg suavizou e mudou nos últimos anos. Desde então o aplicativo tem tentado adotar medidas de segurança mais robustas para evitar esse tipo de conteúdo perto de eleições ou até mesmo contra a desinformação em meio à pandemia do novo coronavírus.

Mesmo assim, a linha entre o que as redes sociais podem fazer dias ou poucos meses antes de uma eleição tão importante é tênue. Em entrevista à EXAME em 2019, Jaron Lanier, cientista de computação e autor do livro “Dez Argumentos Para Você Deletar Agora Suas Redes Sociais”, disse que “as redes sociais amplificam publicações que causam medo, paranoia, raiva ou irritação nas pessoas porque o algoritmo entende que este tipo de reação, que é mais comum, é o que importa”. Não fica claro se os algoritmos das redes, em si, serão mudados para evitar a propagação dessas notícias.

À época, Lanier também afirmou que o problema não estava somente em Jair Bolsonaro (também eleito com presença forte nas redes sociais e uma campanha acusada de usar a desinformação) ou Donald Trump, pioneiro no processo. “Bolsonaro e Trump claramente trabalham e conseguem poder do mesmo jeito e dependem das redes sociais para fazer as pessoas sentirem medo e ficarem com raiva, espalhando fake news e teorias da conspiração. Pessoas como eles se tornam mais poderosas nas redes sociais”, disse ele. “Mesmo se um dia as redes sociais se voltarem contra Bolsonaro e Trump, outros políticos se beneficiarão dos algoritmos.”

Será que em 2020 veremos a mesma situação que aconteceu em 2016? Essa é a pergunta de um milhão de dólares.

 

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