Tecnologia

Coppe inaugura primeira fábrica de polímeros nanos do Brasil

As primeiras cápsulas vão armazenar o medicamento Praziquantel que trata a esquistossomose, doença que atinge 200 milhões de pessoas em todo o mundo


	Laboratório de nanotecnologia: a previsão é de que os testes em animais comecem no ano que vem
 (Divulgação)

Laboratório de nanotecnologia: a previsão é de que os testes em animais comecem no ano que vem (Divulgação)

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Da Redação

Publicado em 26 de outubro de 2012 às 15h05.

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Rio de Janeiro – A pós-graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ) inaugurou hoje (26) a primeira fábrica de nanopolímeros do Brasil para aplicação nas áreas médica, biotecnológica e farmacêutica. As primeiras cápsulas vão armazenar o medicamento Praziquantel que trata a esquistossomose, doença que atinge 200 milhões de pessoas em todo o mundo e, no Brasil, é endêmica e aflige 8 milhões de pessoas, sobretudo, crianças. Cada cápsula é mil vezes menor que um fio de cabelo.

A nova tecnologia vai permitir que o medicamento entre no organismo humano, transportado por uma cápsula que irá diminuir o tamanho do remédio e que será aberta apenas no local exato onde deve agir contra a doença. De acordo com o professor de engenharia química da Coppe e coordenador dos laboratórios e da fábrica, José Carlos Pinto, o aprisionamento evita que grande parte do remédio se perca no caminho, no estômago e no fígado, antes de atacar os parasitas. Com isso, os nanopolímeros vão diminuir o tamanho do remédio e a dosagem diária (que depende do peso do paciente).

“Com a pílula, o medicamento acaba sendo absorvido pelo organismo e uma parte se perde. Como as bolinhas protegem o produto que promove a cura da doença, você acaba podendo tomar doses menores e a eficiência é muito maior.”

Além disso, segundo ele, o nanoencapsulamento do Praziquantel será muito útil no tratamento das crianças, pois mascara o sabor ruim do remédio e facilita a ingestão.

“O gosto amargo faz com que algumas crianças rejeitem o remédio. A pílula é muito grande e em alguns casos provoca ânsia de vômito. Então, como o remédio está protegido, ele não entra em contato direto com a língua e, como as bolinhas são muito pequenas, elas são apresentadas em forma de um pozinho, a solução pode ser espalhada na água ou no suco e a criança pode beber em uma solução sem gosto.”


Atualmente, o tratamento consiste em aplicações orais de doses diárias de 20 a 60 miligramas/quilo (mg/kg). No mercado são encontradas dosagens de 150, 500 e 600 mg. Uma criança de 3 anos com cerca de 20 quilos, no estado mais grave da doença, precisa ingerir 1.200 mg de Praziquantel diariamente. Nos dias atuais, os comprimidos são muito grandes e amargos.

O projeto conta com a parceria da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com recursos de R$ 11 milhões por parte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Com uma área de 740 metros quadrados, a fábrica e mais seis laboratórios estão localizados no Laboratório de Engenharia de Polimerização da Coppe. A meta da fábrica é produzir 100 quilos de materiais micro e nanométricos diariamente.

A previsão é de que os testes em animais comecem no ano que vem e que, em 2014, o medicamento comece a ser testado em humanos.

Ainda segundo José Carlos, a fábrica também poderá desenvolver produção de filtros solares avançados que hoje não são comercializados porque têm substâncias que afetam o mecanismo hormonal. “As nanopartículas vão funcionar como uma espécie de filme que aprisiona o filtro solar e possibilita a proteção dos raios solares e impede que ele entre no organismo pela pele.”

Futuramente, a fábrica também produzirá em escala industrial micropartículas de polímeros para tratamento de câncer, por meio da técnica da embolização, que entope os vasos sanguíneos que alimentam os tumores e mata o tecido doente.

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