Davi contra os Golias

Fintech de pagamentos que cresceu em nichos como oficinas mecânicas agora quer brigar com os gigantes

Ao estudar sobre empreendedorismo no início dos anos 2010, o engenheiro de produção (e ex-jogador de futebol profissional) Olavo Cabral Netto ficou  chocado quando descobriu que, naquela época, um terço das empresas fechava antes de completar dois anos de atividade. O principal problema era financeiro — falta de crédito e de capital de giro para manter e expandir as operações.

Cabral Netto decidiu se dedicar a buscar soluções, e assim criou, em 2014, a Listo, uma fintech de pagamentos eletrônicos. Desde o início, repassava aos lojistas os valores pagos pelos consumidores no débito ou no crédito no mesmo dia e não cobrava pelo terminal de passar cartão, facilidades que as grandes concorrentes do setor só começaram a oferecer com o acirramento da guerra das maquininhas nos últimos dois anos.

A Listo foi ganhando clientes no boca a boca em nichos específicos de mercado. Atualmente, 71% são oficinas mecânicas. “O segredo foi estabelecer um relacionamento muito próximo com os clientes e buscar de fato ajudá-los a crescer, como um parceiro”, conta Cabral Netto, que controla 80% da Listo, enquanto seu sócio, Ravin Mehta, tem 20%.

Ouvindo os usuários, a Listo construiu — com sua equipe interna — uma plataforma de gerenciamento financeiro dos negócios, disponibilizada gratuitamente. Em 2019, faturou 210 milhões de reais, mais do que o dobro dos 98 milhões de 2018, e lucrou 92 milhões, ante 41 milhões do ano anterior. Desde o início, contou apenas com aportes do fundador e com a captação de 460 milhões de reais por Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FDICs).

Agora, a Listo quer ganhar espaço em outros setores, competindo com gigantes como PagSeguro, Mercado Pago e SafraPay. Um dos grandes alvos é o varejo de material de construção.

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