Use orgânico: do marketplace para loja física e linha própria

Além de vender mais de 2.000 produtos naturais e orgânicos, a Use Orgânico quer ampliar as vendas com uma loja em São Paulo e linha própria de cosméticos
 (Use Orgânico/Igor Conelheiro/Reprodução)
(Use Orgânico/Igor Conelheiro/Reprodução)
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Marina FilippePublicado em 26/02/2022 às 08:00.

Jose Youssef é do tipo que gosta de ter práticas saudáveis e sustentáveis em diferentes momentos da vida. Por isso, em 2017, durante uma viagem aos Estados Unidos, ele resolveu testar, conhecer e vender alguns cosméticos orgânicos no Brasil como forma de completar a renda. Assim foram os primeiros passos da Use Orgânico, que na pandemia da covid-19, ganhou tempo integral na agenda do executivo, antes dedicado também ao setor de hotelaria.

A companhia que faturou 5,8 milhões de reais em 2021 tem mais de 2 mil produtos de 60 marcas no seu e-commerce. O inusitado, contudo, é o fato de fazer o caminho contrário da maioria das empresas e abrir uma loja física no centro de São Paulo em novembro do ano passado, com o investimento de 250 mil reais.

"O e-commerce é um ótimo canal de vendas, e a maior parte do faturamento, mas muitos produtos são novos na rotina do consumidor que quer experimentar, sentir o cheiro, a textura e mais. Recebemos pessoas de muitas cidades na loja em São Paulo e identificamos uma oportunidade de crescimento", diz Youssef. Para este ano, ele espera faturar 6,8 milhões de reais.

O crescimento se deve também ao entendimento do público. "Antes focamos muito em quem já é adepto ao natural, mas entendemos que há um publico curioso que pode gostar do que vendemos".

A ampliação faz sentido: segundo pesquisa da Associação de Promoção dos Orgânicos com 987 entrevistados, 23% aumentaram o nível de consumo durante a pandemia. Do total de entrevistados, 25% começaram a explorar esse mercado entre um e dois anos, e 12% em um período menor que um ano.

Para ele, o segredo do crescimento está na ampla divulgação nas redes sociais, mas principalmente na criteriosa escolha do que é vendido. "Nossos especialistas pesquisam cada ingrediente do produto para entender se é de fato natura. Já deixamos de ganhar dinheiro porque encontramos sintéticos na fórmula", afirma Youssef.

Para garantir a qualidade há um forte trabalho de acompanhamento dos fornecedores, seja escolhendo aqueles que são certificados com selos do setor, ou mesmo os ajudando a desenvolver novos itens. "90% deles são de empresas familiares, alguns com menor poder aquisitivo para auditorias externas, então os ajudamos ao mostrar o que é de fato natural".

Para ampliar o mercado, neste ano, a Use Orgânico lançará sua própria linha de produtos. O primeiro item é um creme dental que levou oito meses para ser desenvolvido. Foram mais de 15 tentativas testadas por diferentes pessoas da empresa. "Precisávamos garantir eficiência e, claro, um bom sabor". Estão previstos ao menos 10 produtos para esta linha, incluindo desodorantes, hidratantes e mais.

Sustentabilidade

A Use Orgânico deu início à sua marca própria já como parceira do programa Eu Reciclo, que tem como base o modelo de compensação ambiental como solução para a logística reversa de embalagens. Para cumprir as metas, as empresas devem adquirir uma quantidade de Certificados de Reciclagem que seja equivalente a pelo menos 22% da massa total de embalagens colocadas no mercado.

Hoje, as embalagens de todas as entregas são recicláveis, a tinta leva ingredientes naturais, o papel que embala o produto internamente é uma seda natural, e as etiquetas e notas são as menores possíveis. Além disso, os materiais dos produtos da nova linha também são desenvolvidos com este viés. O tubo do creme dental, por exemplo, é oriundo de fontes renováveis.