Essa startup viu na ansiedade e na depressão uma oportunidade de negócio

Aumento dos casos de adoecimento mental fez com que empresa mudasse o rumo dos seus negócios, desenvolvendo ferramenta de inteligência artificial

Se você mesmo não teve problemas como ansiedade e depressão relacionados ao trabalho, é muito provável que conheça alguém que teve — ou tem. Os sintomas da síndrome de burnout são cada vez mais comuns, têm sido intensificados pela pandemia, e começam e despertar a atenção das empresas.

Diretora da startup de saúde e bem-estar Hisnëk, Carolina Dassie notou a onda de adoecimento mental por meio dos seus clientes. Fornecedora de lanches saudáveis para grandes empresas, a executiva lidava diretamente com a área de recursos humanos das organizações e, em conversas informais, detectou uma reclamação quase unânime.

“Existia uma preocupação em não saber como cuidar da saúde mental”, diz Dassie. “Chegavam atestados de colaboradores que as empresas nem imaginavam que estavam com depressão. Ou o funcionário começava a faltar e descobriam que era um problema emocional. Ninguém sabia fazer prevenção.”

Segundo ela, a área de recursos humanos, que deveria estar à frente da causa, por vezes era a última a saber que funcionários estavam acometidos por doenças mentais. Isso porque existe um tabu em relação ao tema, o que acaba impedindo funcionários de pedir ajuda.

Mudança de planos

Já em contato com as empresas – e ciente dos dados alarmantes sobre burnout –, Dassie decidiu “pivotar” o seu negócio, deixando os lanches saudáveis em segundo plano e investindo em uma solução para prevenção de problemas de saúde mental baseada em inteligência artificial.

Chamada de Ivi (de “inteligência virtual”), a ferramenta é um aplicativo oferecido como benefício a funcionários das empresas-clientes. Trata-se de um funil de saúde mental. “Por meio do app, fazemos perguntas sobre como as pessoas se sentem naquele dia – e a as questões são baseadas em protocolos clínicos. Identificando a situação emocional dos funcionários, indicamos conteúdos para aliviar emoções negativas ou impulsionar as positivas, ou até sugerir encaminhamento para terapia.”

Os conteúdos indicados – chamados, pela startup, de vivências – podem ser textos, vídeos e episódios de podcasts, entre outros. A ideia é fazer com que o usuário amplie seu entendimento sobre suas próprias emoções. “À medida que as interações ocorrem, ampliamos nosso banco de dados e oferecemos conteúdos com mais assertividade”, diz Roberta Rocha, estrategista de conteúdo da Hisnëk. “Conectamos um mesmo conteúdo a uma tríade de sentimentos, como gratidão, otimismo e felicidade. Quando a pessoa reporta um sentimento, ela recebe as vivências correspondentes.”

Privacidade

A última etapa do uso da ferramenta é a sugestão de tratamento psicológico, detectada, é claro, pela análise das respostas do usuário. Neste caso, a startup tem um acordo direto com os setores de recursos humanos das empresas que aderirem ao serviço, podendo oferecer opções de tratamento ao funcionário.

As empresas, no entanto, não têm acesso aos dados de cada empregado – apenas autoriza a startup a dar início ao tratamento, o que é feito por meio de instituições parceiras.

Consultas com profissionais de saúde mental podem ser feitas dentro do aplicativo ou presencialmente (tendo a pandemia como exceção), caso o funcionário opte pela modalidade.

A Hisnëk também oferece um relatório a partir dos dados obtidos pela Ivi. Anonimizado, o documento fornece à área de recursos humanos um “raio-x” da situação mental da empresa, colocando, por exmeplo, o número de empregados em risco mental e os setores mais problemáticos da organização.

Investimentos

Antes de “pivotar”, a Hisnëk tinha recebido duas rodadas de investimento – em 2016 e 2017 – totalizando um aporte de 360 mil reais. Sua terceira rodada ocorreu no início de 2020, com aporte milionário feito por Claudio Haddad, um dos fundadores do Insper.

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