Negócios

Cade põe em xeque fusão entre Sadia e Perdigão

Conselho coloca fortes restrições ao acordo que criou a BR Foods

Cade ameaça barrar o conglomerado caso eles não vendam uma das empresas envolvidas no processo (EXAME.com)

Cade ameaça barrar o conglomerado caso eles não vendam uma das empresas envolvidas no processo (EXAME.com)

DR

Da Redação

Publicado em 10 de maio de 2011 às 11h30.

Priorizar nos meus resultados Google

São Paulo - A procuradoria-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) emitiu um duro parecer que ameaça barrar a fusão entre a Sadia e a Perdigão. O documento recomenda restrições mais fortes ou a reprovação do negócio. Segundo fontes do Cade, uma das opções é determinar a venda de uma das marcas.

O documento foi entregue ontem no fim da tarde ao conselheiro relator do caso, Carlos Ragazzo. Não é a posição definitiva do Cade, mas representa um indicativo importante, já que costuma ser seguido pelos conselheiros. "Estamos preocupados com essa operação e queremos sinalizar ao conselho que deve haver atenção redobrada", disse o procurador-geral do Cade, Gilvandro de Araújo.

O voto dos conselheiros só será conhecido em plenário. A expectativa é de que a fusão, que criou a Brasil Foods (BRF), seja julgada em junho, após dois anos de análise. A BRF também pode entrar em acordo com o Cade e evitar o julgamento. O negócio foi fechado em junho de 2009 para resgatar a Sadia, que sofreu prejuízos bilionários com derivativos cambiais na crise global.

Para a procuradoria-geral do Cade, "as empresas não lograram êxito em demonstrar que os benefícios decorrentes da fusão podem ser compartilhados com o consumidor". Sadia e Perdigão argumentam que vão criar uma grande exportadora nacional de carnes, mas a preocupação do órgão é com o custo para a população, pois as concentrações de mercado ultrapassaram 70% em diversos produtos.

Com 38 páginas, o parecer emitido ontem é ainda mais restritivo que o da Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda. A Seae recomendou a aprovação da operação desde que seguidas uma de duas alternativas: a venda de um conjunto de marcas com preços mais baixos ou o licenciamento por cinco anos das marcas Sadia ou Perdigão. "As alternativas oferecidas pela Seae não são suficientes para combater os problemas identificados", diz a procuradoria do Cade. "Ou encontramos restrições que possibilitem efetivamente a um terceiro agente econômico fazer frente ao poder de mercado da Brasil Foods, ou se impõe a reprovação da operação". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Acompanhe tudo sobre:EmpresasCarnes e derivadosAlimentaçãoBRFSadiaFusões e AquisiçõesPerdigãoCade

Mais de Negócios

Só tem Coca-Cola? Por que o KFC abandonou a Pepsi nos EUA

Milky Moo tem 600 lojas fora da escala 6x1. 'É possível buscar ganhos de produtividade', diz CEO

Ex-CEO da Dr. Peanut e influenciador desafiam Nutella com nova marca de creme saudável

Rumo ao R$ 1,5 bilhão: depois do açaí, Grupo The Best aposta em sorvete proteico