Marketing

iFood encontra um novo espaço para vender publicidade: a sacola do consumidor

Plataforma passa a oferecer às marcas uma forma de distribuir produtos dentro dos pedidos e medir o comportamento do consumidor após a experiência

Camila Alvarez, head de soluções de marketing e desenvolvimento de negócios do iFood Ads (Divulgação)

Camila Alvarez, head de soluções de marketing e desenvolvimento de negócios do iFood Ads (Divulgação)

Soraia Alves
Soraia Alves

Repórter de Marketing

Publicado em 3 de setembro de 2026 às 17h15.

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O iFood Ads, área de publicidade e negócios do iFood, encontrou um novo espaço para vender anúncios: o carrinho de compras do consumidor. Há poucos dias, a plataforma passou a oferecer às marcas o Instant Sampling, solução que permite incluir produtos nos pedidos feitos pelo aplicativo, no estilo "amostra grátis".

Na prática, quando o cliente vai finalizar um pedido, é impactado com uma oferta de produto que aparece diretamente na sacola de compras, com um valor simbólico de R$ 0,01.

Segundo a empresa, a proposta é usar os dados de consumo do iFood para definir quem recebe a oferta. O passo seguinte é acompanhar o comportamento desse consumidor, inclusive se ele volta a comprar o produto.

"Nós trazemos para o produto físico a mesma precisão e rastreabilidade da mídia digital: cada amostra distribuída é rastreável, cada consumidor que experimenta gera dado, e cada recompra é atribuível àquela ação específica", explica Camila Alvarez, head de soluções de marketing e desenvolvimento de negócios do iFood Ads.

A primeira marca a testar o formato é Rexona Clinical, da Unilever.

"Essa primeira ação nos permite demonstrar como a nossa inteligência de dados e logística garantem agilidade e zero fricção operacional para a indústria, entregando a amostra direto do estoque dos varejistas e na mesma viagem do pedido. É uma estreia que nos deixa muito entusiasmados e que abre caminho para que marcas parceiras dos mais diversos segmentos", diz a executiva.

Do anúncio à experimentação

O movimento amplia a atuação do iFood Ads justamente em um momento em que empresas que controlam pontos da jornada de compra tentam transformar dados e ambientes digitais em ativos publicitários. No Brasil, o investimento em publicidade digital chegou a R$ 42,7 bilhões em 2025, segundo o levantamento Digital Adspend 2026, do IAB Brasil em parceria com a Ibope.

Com o Instant Sampling, a marca define a audiência que deseja alcançar com base nos hábitos de consumo observados dentro do aplicativo. Quando um desses consumidores monta um pedido, uma oferta de experimentação aparece no checkout. Caso aceite, o produto é acrescentado à compra por R$ 0,01 e segue na mesma viagem do pedido principal.

Segundo o iFood, a solução utiliza itens em tamanho regular que já estão disponíveis no estoque dos varejistas parceiros da plataforma. Ou seja, não é "uma versão mini" do produto. Isso permite que a distribuição aconteça a partir de restaurantes, mercados, farmácias, pet shops e outros estabelecimentos conectados ao ecossistema.

"A marca não precisa de investimento adicional na produção de formatos exclusivos de amostragem, utilizando o item em tamanho regular que já está na gôndola do varejo", diz Alvarez.

Na visão da executiva, essa característica também pode ampliar o público potencial da solução, já que reduz a complexidade operacional de uma ação de experimentação.

O que o iFood ganha?

O Instant Sampling é também uma maneira de aumentar o número de pontos em que o iFood pode monetizar a relação com seus usuários.

A empresa já trabalha com publicidade dentro da plataforma e com soluções de audiência que levam dados de sua base para campanhas realizadas em ambientes externos. Segundo Alvarez, o iFood Ads possui uma solução de audiência estendida que utiliza a inteligência de dados da companhia para alcançar consumidores em plataformas como Google, Meta e TikTok e posteriormente medir o comportamento deles dentro do iFood.

O Instant Sampling adiciona uma camada diferente: em vez de apenas direcionar uma pessoa para uma oferta ou anúncio, a plataforma consegue participar da própria experimentação do produto.

"É uma ferramenta que surge como o próximo passo dessa evolução, representando apenas o começo da customização in-app."

A estratégia faz parte de uma expansão mais ampla do próprio iFood. Em 2025, a empresa anunciou R$ 17 bilhões em investimentos no Brasil até março de 2026, com foco em áreas como tecnologia, expansão de estabelecimentos parceiros, aumento da recorrência de compras e ampliação dos segmentos de atuação. Na ocasião, a companhia informou ter 55 milhões de clientes e 120 milhões de pedidos mensais.

Em dados mais recentes publicados pela própria empresa, o iFood afirma ter 65 milhões de usuários e 25 bilhões de predições mensais realizadas por seus modelos de inteligência artificial.

A disputa por dados e mensuração

A estratégia não é exclusiva do iFood. Nos últimos anos, varejistas passaram a estruturar negócios de retail media justamente a partir da combinação entre audiência, dados próprios e proximidade com a compra.

Para os anunciantes, essa proximidade tem um valor específico: a possibilidade de entender não apenas quem foi exposto a uma mensagem, mas o que essa pessoa fez depois.

No caso do Instant Sampling, o painel oferecido aos anunciantes deverá acompanhar desde a taxa de experimentação até recompra, incrementalidade, LTV e ROI.

"A grande virada é sair do volume distribuído e focar em indicadores de conversão que movem o ponteiro dos negócios. Esperamos estabelecer um novo padrão: demonstrar que o sampling não é apenas distribuição de volume, mas sim um canal de mídia robusto, mensurável e rentável, tanto para as marcas quanto para a plataforma", avalia a executiva.

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