Economista não vê motivos para otimismo e projeta um caos econômico em 2015
Apesar da volatilidade recente, o desempenho do Ibovespa em 2014 é de dar sono no investidor, com um levíssimo avanço de 0,19%
(Getty Images)
São Paulo - A bolsa brasileira ficou praticamente estável no acumulado dos primeiros cinco meses do ano. Considerando o fechamento da última segunda-feira, o Ibovespa registra um módico avanço de 0,19% no período.
No entanto, o desempenho sonolento do Ibovespa neste ano não reflete os dias agitados que o mercado presenciou nos últimos meses.
“A Bolsa passou por momentos distintos. Até meados de março houve uma desvalorização muito forte devido ao cenário macro, mas a entrada de recursos estrangeiros e o rali eleitoral zeraram as perdas”, explica o analista chefe da Alpes WinTrade, Bruno Gonçalves.
Neste sobe e desce da Bolsa, alguns setores, como o financeiro, se destacaram positivamente.“Os bancos conseguiram manter a carteira de crédito e ganharam destaque até aqui”, lembra Gonçalves.
O Índice Financeiro (IFNC), que engloba as companhias do setor listadas na Bovespa, acumula uma alta de 11% em 2014.
Além disso, as estatais como Petrobras, Banco do Brasil e Eletrobras protagonizaram uma verdadeira folia especulativa nos últimos dois meses.
As três companhias dispararam após o aumento das intenções de voto ao pré-candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves.
“Uma boa parte do mercado torce por uma vitória da oposição, mas ainda está tudo indefinido”, diz o economista e diretor do MBA da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), Tharcísio Souza Santos.
Em contrapartida, algumas companhias tropeçaram feio na bolsa em 2014. É o caso das varejistas de vestuário, por exemplo. Estes papéis, que brilharam no ano passado, perderam valor diante da redução da confiança do consumidor e da desaceleração do consumo.
Segundo a equipe de analistas da Ativa Corretora, as varejistas terão suas vendas fortemente impactadas devido à queda brusca do movimento do comércio.
Os números da desaceleração já são uma realidade. Recentemente, as ações ordinárias da Hering foram penalizadas após a divulgação de resultados da companhia.
No acumulado de 2014, os papéis da Hering já derreteram 26%.
Segundo a Hering, o crescimento mais lento das vendas brutas no primeiro trimestre refletiu a cautela em relação ao ambiente macroeconômico e o efeito adverso da Copa do Mundo sobre o varejo de vestuário.
O economista Tharcísio Souza Santos ressalta também o desempenho da Vale neste ano. Desde janeiro, os papéis da mineradora já caíram mais de 17%.
A queda, segundo o economista, se deve aos preços do minério de ferro do mercado chinês. A companhia também sofre com a baixa das exportações ao país. A China é o principal destino das exportações da Vale.
Futuro próximo
Para o resto do ano, os profissionais do mercado ouvidos por EXAME.com se mostraram pessimistas com o desempenho do Ibovespa e estimam que a Bolsa deva fechar o ano no vermelho.
“A desaceleração do PIB e os baixos níveis de confiança das empresas em investir torna praticamente impossível que a Bolsa ganhe força nos próximos meses”, diz Bruno Gonçalves.
Tharcísio Souza Santos acrescenta que o cenário deve piorar em 2015. “O próximo ano será um caos. A inflação está em alta e próxima do teto da meta de 6,5%. Além disso, os preços dos combustíveis e da energia elétrica estão represados e devem subir após as eleições. Ou seja, não há razão para otimismo”, conclui.
São Paulo – A NET foi a empresa que mais ganhou valor de mercado em maio na Bovespa, crescendo expressivos 8,85 bilhões de reais. A Petrobras também está entre as empresas que avançaram na bolsa brasileira no mês passado. Veja a lista a seguir elaborada pela consultoria Economatica.