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IA avança nas empresas, mas soft skills seguem decidindo contratações (foto/Getty Images)
Jornalista
Publicado em 10 de julho de 2026 às 14h57.
A inteligência artificial deixou de ser novidade restrita a times de tecnologia e passou a integrar rotinas de marketing, finanças, atendimento e operações, automatizando tarefas repetitivas e análises básicas.
Esse avanço não elimina a necessidade de qualificação humana — ele a redireciona. Um levantamento do LinkedIn no Brasil mostra que o mercado passou a exigir maior equilíbrio entre competências técnicas e comportamentais, capazes de conectar áreas, orientar decisões e transformar conhecimento em execução, segundo o editor-chefe da plataforma no país.
O mesmo estudo indica que um em cada cinco profissionais no mundo aponta a falta de qualificação adequada como obstáculo na busca por emprego.
O relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, aponta o pensamento analítico como a habilidade mais buscada pelas empresas, à frente de competências técnicas específicas.
Na prática, isso significa organizar informações, identificar padrões e tomar decisões com base em lógica — algo que a IA apoia, mas que ainda depende de julgamento humano para interpretar contexto.
Criatividade, resiliência, flexibilidade, agilidade e liderança social seguem entre as competências em ascensão até 2030, segundo o mesmo levantamento. Ferramentas de IA generativa produzem texto e imagem rapidamente, mas a criatividade mais valorizada continua sendo a de conectar repertórios e propor caminhos diante de restrições reais, como prazo e orçamento.
Um estudo da consultoria BCG com organizações globais mostra que a meia-vida média das competências profissionais caiu para menos de cinco anos, chegando a dois anos e meio em setores de tecnologia — o que torna aprender rápido tão relevante quanto o conhecimento técnico.
Um relatório do LinkedIn projeta ainda que, em cinco anos, 70% das habilidades usadas na maioria dos empregos terão mudado, reforçando a urgência da atualização contínua.
Empresas seguem precisando de profissionais capazes de mediar conflitos, construir confiança e interpretar contextos que nenhum sistema automatizado resolve sozinho — competências que ganham peso justamente porque a tecnologia não as replica.
A IA processa dados e identifica padrões em escala, mas não compreende intenção, cultura organizacional ou nuances emocionais. Por isso, saber orientar a ferramenta e validar seus resultados tornou-se, na prática, parte do que hoje se entende por soft skill.
Desenvolver essas competências não exige abandonar o uso de IA, mas aprender a combiná-la com julgamento humano. Alguns caminhos práticos ajudam nessa transição:
Registre resultados concretos — em vez de descrever "boa comunicação", relate uma situação em que ela evitou um problema ou melhorou um processo.
Pratique decisões orientadas por dados — use IA para organizar informações, mas documente por que a escolha final foi sua, não da máquina.
Busque feedback estruturado sobre colaboração e resolução de conflitos, não apenas sobre entregas técnicas.
Invista em formação que combine fundamentos de IA com liderança e pensamento estratégico, preenchendo a lacuna que o mercado já identificou.