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Com aquisições no radar, Fleury vê brecha nas dificuldades de rivais para ganhar pacientes

Companhia segue ativa no mercado; próximos investimentos devem se concentrar na rede de laboratórios a+, em São Paulo, na Felipe Mattoso, no Rio de Janeiro, e nas operações de Minas Gerais

Fleury: destaque na categoria Saúde  (Fleury/Divulgação)
Fleury: destaque na categoria Saúde (Fleury/Divulgação)
Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Publicado em 19 de outubro de 2026 às 10:52.

Última atualização em 20 de outubro de 2026 às 09:55.

RESUMO +

O grupo de medicina diagnóstica Fleury vai aproveitar dificuldades operacionais de concorrentes em São Paulo e Minas Gerais, como a rede Dasa, para atrair pacientes e ampliar relações com médicos. A companhia também aposta em coleta domiciliar, expansão de unidades, serviços lab-to-lab e aquisições pontuais, enquanto prevê reduzir os investimentos orgânicos para cerca de 5% da receita em 2027.

O Fleury vê espaço para atrair pacientes e ampliar o relacionamento com médicos em São Paulo e Minas Gerais, em meio a ajustes operacionais de concorrentes. Na avaliação da administração, a menor satisfação de clientes com outras redes ajuda a explicar a aceleração do crescimento orgânico, algo que surpreendeu os próprios executivos. No segundo trimestre, as marcas do grupo em São Paulo, excluindo a bandeira Fleury, tiveram expansão orgânica de 12,9%; em Minas Gerais, o avanço foi de 14,3%.

Entre os concorrentes mencionados reservadamente por executivos está a Dasa, dona de marcas como Alta, Delboni, Lavoisier e Salomão Zoppi, que atravessa uma reorganização de seus negócios. A rede passou de 870 unidades de atendimento em junho de 2024 para 833 em junho de 2026, com a descontinuidade de operações de baixa performance. A revisão também incluiu a venda das operações de diagnósticos na Argentina e da Mantris, de saúde ocupacional, por R$ 704,8 milhões, e do Hospital São Domingos e outros ativos, no Maranhão, por R$ 1,2 bilhão. Concluídas em 2025, as transações se somaram à combinação de hospitais com a Amil na Rede Américas. 

A reestruturação tem surtido algum efeito. No segundo trimestre de 2026, o Ebitda atingiu R$ 446 milhões, alta de 52,6% em relação ao mesmo período do ano passado, com expansão da margem de 14,3% para 20,1%. A geração operacional de caixa passou de R$ 44 milhões para R$ 347 milhões, enquanto a receita da divisão de diagnósticos cresceu 9%, para R$ 2,2 bilhões. A dívida líquida financeira, por sua vez, caiu 19% em 12 meses, de R$ 6,77 bilhões para R$ 5,48 bilhões em junho de 2026. 

A pressão financeira, porém, persiste: a alavancagem subiu de 2,6 para 3,4 vezes o Ebitda no mesmo período. O aumento reflete a redução do Ebitda usado no cálculo da dívida, com a saída da contribuição de operações descontinuadas e ativos vendidos no ano passado.

O Fleury não tem nada com isso. Com a maior parte das ampliações da marca concluída, os próximos investimentos devem se concentrar na rede de laboratórios a+, em São Paulo, na Felipe Mattoso, no Rio de Janeiro, e nas operações de Minas Gerais, como a recém-adquirida Hermes Pardini.

Segundo motor de crescimento e aquisições pontuais

A administração da executiva Jeane Tsutsui, à frente da operação do Fleury desde 2021, também aposta no crescimento de serviços prestados a outros laboratórios, conhecido como lab-to-lab, após os investimentos recentes na expansão da capacidade. 

O lab-to-lab é o serviço de medicina diagnóstica em que um laboratório de análises clínicas terceiriza a realização de exames mais complexos ou de alto volume para um laboratório maior e altamente especializado.

Além disso, o grupo está em fase final de integração da Femme, rede focada em diagnóstico e saúde feminina, adquirida em novembro de 2025 por R$ 207 milhões. No início de outubro, o Fleury concluiu a implantação dos novos sistemas. Entre as iniciativas de eficiência que serão implementadas, até 70% devem ser feitas ainda este ano.

O Fleury também continua avaliando pequenas aquisições, com cheques médios de R$ 50 milhões. Desde 2017, a companhia fez 23 aquisições, com R$ 2,5 bilhões investidos. A mais recente foi a Unilab, comprada por R$ 55 milhões em outubro deste ano. A expectativa é seguir no ritmo de três aquisições, em média, por ano.

Ao mesmo tempo, a proporção da receita destinada a investimentos orgânicas deve continuar caindo. Após ficar em aproximadamente 7% antes da aquisição da Femme, esse percentual já recuou para perto de 6%. Para 2027, o percentual deve ficar em cerca de 5%.

ATUALIZAÇÃO: Em nota, a Dasa diz que "a diminuição do número de unidades de atendimento e os desinvestimentos fazem parte de uma decisão estratégica de fortalecer a estrutura de capital e concentrar a operação em medicina diagnóstica no Brasil, nas praças prioritárias". Segundo a companhia, "as unidades encerradas tinham baixo desempenho, e os pacientes continuam sendo atendidos pelas marcas da empresa em unidades próximas e pelo serviço de atendimento domiciliar." Diz ainda que "discorda da avaliação de que haveria menor satisfação de seus clientes" e que "a companhia mede continuamente a satisfação de pacientes e médicos, e seu NPS médio no segundo trimestre de 2026 foi de 74,3 pontos, que pela metodologia é o topo da faixa de qualidade dos serviços prestados.")

'Perguntas frequentes'

Como o Fleury pretende acelerar o crescimento orgânico? +

O Fleury pretende atrair pacientes e ampliar o relacionamento com médicos diante das dificuldades operacionais de concorrentes em São Paulo e Minas Gerais, como a Dasa. Segundo a administração, a queda na satisfação dos clientes de outras redes ajuda a explicar a aceleração do crescimento orgânico da companhia.

Onde o Fleury concentrará os próximos investimentos? +

Os próximos investimentos devem se concentrar na rede de laboratórios a+, em São Paulo, na Felipe Mattoso, no Rio de Janeiro, e nas operações de Minas Gerais, como a recém-adquirida Hermes Pardini. A maior parte das ampliações da marca Fleury já foi concluída.

O que é o serviço lab-to-lab do Fleury? +

O lab-to-lab permite que laboratórios de análises clínicas terceirizem exames complexos ou de alto volume para um laboratório maior e especializado. A administração de Jeane Tsutsui aposta no avanço desse serviço após os investimentos na expansão da capacidade do Fleury.

Como está a integração da Femme ao Fleury? +

A integração da Femme, rede de diagnóstico e saúde feminina adquirida em novembro de 2025 por R$ 207 milhões, está na fase final. O Fleury concluiu a implantação dos novos sistemas no início de outubro e prevê executar ainda este ano até 70% das iniciativas de eficiência.

Qual é a estratégia de aquisições do Fleury? +

O Fleury avalia pequenas aquisições, com cheques médios de R$ 50 milhões, e espera manter uma média de três compras por ano. Desde 2017, a companhia fez 23 aquisições e investiu R$ 2,5 bilhões; a mais recente foi a Unilab, comprada por R$ 55 milhões em outubro deste ano.

Quanto da receita do Fleury será destinado a investimentos orgânicos? +

A proporção da receita destinada a investimentos orgânicos deve cair para cerca de 5% em 2027. O percentual estava em aproximadamente 7% antes da aquisição da Femme e já recuou para perto de 6%.

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Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Jornalista com experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pela redação de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico. Contato em pedro-b.gil@exame.com

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