Com R$ 5 bilhões processados, Revert atrai Valor Capital e já mira nova rodada
Fundada pelos criadores da Giant Steps, startup usa agentes de IA para ampliar a capacidade de atendimento de consultores de investimentos e quer chegar a R$ 10 bilhões ainda em 2026


Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHT
Publicado em 27 de agosto de 2026 às 07:00.
As gestoras de venture capital Valor Capital Group e Headline, esta última liderada pelo fundador do Buscapé, Romero Rodrigues, lideraram a primeira rodada de investimento na Revert, empresa de infraestrutura de inteligência artificial para consultores de investimentos. O aporte foi realizado em junho, mas o valor do cheque não foi divulgado.
Fundada em 2025, a Revert é a nova empreitada dos empresários Rodrigo e Flavio Terni, cofundadores da gestora Giant Steps Capital, vendida à XP em 2021. A empresa nasceu como spin-off da operação de um family office e quer resolver um problema que cresce com a sofisticação da indústria de investimentos: administrar patrimônios distribuídos entre diferentes bancos, corretoras, moedas, países e classes de ativos em um só lugar.
A proposta é usar agentes de inteligência artificial para executar tarefas operacionais, como consolidação e conciliação de informações financeiras. Diferentemente do assessor de investimentos, que atua na distribuição de produtos por meio de uma instituição financeira, o consultor de valores mobiliários presta orientação, recomendação e aconselhamento de forma independente e individualizada. Pela regulamentação da CVM, a decisão de implementar ou não a recomendação permanece com o cliente. “O consultor não deveria ter que escolher entre crescer e atender bem. A operação vai para as máquinas; o profissional fica com o que efetivamente diferencia seu trabalho: conhecer o cliente, entender suas necessidades e construir uma relação de longo prazo”, diz Flavio Terni ao EXAME Insight. “Dessa forma, nosso objetivo como negócio é permitir que um consultor, que hoje atende 100 clientes, possa atender mais de 300”, prossegue.
A Revert já processou cerca de R$ 5 bilhões em patrimônio por meio de sua infraestrutura desde a fundação e pretende chegar a R$ 10 bilhões ainda em 2026. Até o fim deste ano, a empresa deve promover uma nova rodada de captação. Há negociações avançadas com um fundo de venture capital americano e um investidor estratégico brasileiro. O cheque, assim como o primeiro, será utilizado integralmente para o desenvolvimento de tecnologia.
Mercado em expansão
A Revert tenta crescer em um momento de expansão da consultoria de investimentos no Brasil. No primeiro semestre deste ano, o número de consultores de valores mobiliários registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) avançou 11,5% em relação ao fim de 2025.
O movimento foi suficiente para chamar a atenção do próprio regulador. Em janeiro, diante do que classificou como um “progressivo aumento” de participantes registrados nessa função, a CVM publicou novas orientações sobre a atividade, abordando temas como remuneração, encaminhamento de ordens e certificação.
A consultoria ganha espaço ao lado de um mercado financeiro que também cresce em tamanho e complexidade. A CVM encerrou junho com 92 978 participantes regulados — número que reúne todas as categorias supervisionadas pela autarquia, e não apenas consultores — e estima em R$ 52 trilhões o valor total do mercado sob sua supervisão. Excluído o valor de referência dos derivativos, são R$ 19 trilhões.
Para os consultores, parte da complexidade está justamente na fragmentação do patrimônio. Um mesmo cliente pode manter investimentos em diferentes bancos e corretoras, no Brasil e no exterior, obrigando o profissional a consolidar posições, movimentações e informações produzidas por instituições com diferentes sistemas e formatos de dados.
É nessa camada operacional que a Revert pretende competir. Em vez de substituir o consultor na relação com o cliente, a empresa aposta em agentes de IA para assumir parte do trabalho de bastidor necessário para que um profissional acompanhe carteiras distribuídas entre diferentes instituições e aumente sua base de clientes. “Quanto mais sofisticado fica o mercado, mais importante se torna a relação entre consultor e investidor. A inteligência artificial não precisa ocupar esse lugar: ela trabalha nos bastidores, assumindo o trabalho que antes exigia um exército invisível de backoffice, para que o profissional tenha mais tempo justamente na parte mais valiosa da consultoria. O ganho de escala vem de usar tecnologia para ampliar o humano, e não para retirá-lo da relação”, diz Terni.
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Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHTJornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com
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