Após seed de US$ 85 milhões, Decade põe R$ 10 bilhões em carteiras sob a lupa da IA
Fintech fundada por Vitor Olivier, ex-CTO do Nubank, e Felipe Meneses alcançou a marca 16 dias após sair do stealth; 78% dos clientes têm ao menos um investimento que a plataforma não recomenda


Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHT
Publicado em 25 de agosto de 2026 às 09:00.
A Decade, fintech fundada por Vitor Olivier, ex-CTO do Nubank, e Felipe Meneses, fundador da Hyperplane, chegou a R$ 10 bilhões em carteiras monitoradas pela plataforma menos de um mês depois de iniciar sua operação pública.
O número foi alcançado 16 dias após a empresa sair do modo stealth e apresentar seu serviço, que usa inteligência artificial combinada à análise humana para recomendar mudanças na alocação dos investimentos dos clientes. O acesso ainda ocorre por meio de uma lista de espera e está sendo liberado gradualmente.
A Decade chamou atenção antes mesmo de começar a operar. No início de agosto, a companhia anunciou uma rodada seed de US$ 85 milhões, liderada pelos fundos Greenoaks e Benchmark. O aporte está entre os maiores já levantados por uma startup latino-americana em estágio seed e deu à empresa capital para iniciar a operação em uma escala pouco comum para uma companhia recém-criada.
O tamanho da rodada também está ligado ao histórico dos fundadores. Olivier foi CTO do Nubank, enquanto Meneses fundou a Hyperplane, startup de inteligência artificial adquirida pelo banco em 2024. Na Decade, os dois voltaram a trabalhar com serviços financeiros, desta vez com foco na gestão de patrimônio.
Como funciona
A proposta é usar inteligência artificial para analisar as carteiras e identificar mudanças que possam melhorar a relação entre risco, retorno, custos e eficiência tributária. A empresa atua como consultora de investimentos, atividade regulada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Segundo dados divulgados pela própria Decade, 78% dos clientes que tiveram suas carteiras analisadas possuem ao menos um investimento que não seria recomendado pela metodologia da companhia. Entre esses clientes, o valor médio aplicado nesse tipo de ativo supera R$ 50 mil.
Os R$ 10 bilhões representam o patrimônio monitorado pela plataforma, e não recursos sob gestão da Decade. Como consultora, a empresa analisa os investimentos dos clientes e faz recomendações, mas não administra diretamente esse patrimônio. “Quando lançamos a Decade, partimos da convicção de que existe uma dor crônica na gestão financeira. Acompanhar gastos, poupar e investir são ações necessárias para ter uma boa saúde financeira, mas fazer isso é cada vez mais complexo e doloroso. Chegar a R$ 10 bilhões tão rápido é uma primeira evidência da dimensão dessa demanda”, afirma Olivier.
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Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHTJornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com
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