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Inteligência artificial

Com nova plataforma proprietária de IA, CTO do Itaú estima escala inédita no uso de agentes

O líder de tecnologia Ricardo Guerra, em entrevista exclusiva à EXAME, falou sobre o lançamento da nova inteligência artificial do banco e detalhou a estratégia de governança adotada no uso de grandes modelos de linguagem (LLMs)

Luiz Gustavo Pacete

Luiz Gustavo Pacete

Consultor de Projetos Especiais

Publicado em 28 de julho de 2026 às 09:07.

Última atualização em 26 de agosto de 2026 às 22:36.

Em 2022, a popularização da inteligência artificial generativa, impulsionada pelo ChatGPT, gerou em muitos executivos de tecnologia a expectativa de uma redução drástica nos custos operacionais com tecnologia. O mercado, contudo, seguiu na contramão: a proliferação de modelos de linguagem levou grandes companhias a operarem, em média, com mais de cinco opções simultâneas, do GPT da OpenAI ao Gemini do Google e o Claude da Anthropic. Essa complexidade fez disparar os gastos com IA, um cenário que, segundo Ricardo Guerra, Chief Technology Officer (CTO) do Itaú, em entrevista exclusiva à EXAME, só se torna sustentável com a implementação de uma governança rigorosa.

"O custo de IA pode explodir se não houver gestão, de forma semelhante ao que vimos na migração para a nuvem", alerta Guerra. Para otimizar o uso da tecnologia, ele descreve um plano de governança que abrange o treinamento de todo o quadro de funcionários. O executivo detalha, ainda, o lançamento de uma plataforma proprietária que, além de personalizar o atendimento, funcionará como um guia para a eficiência do banco no uso de IA.

Em instituições como o Itaú, falhas na implementação de ferramentas podem gerar impactos em escala. Entre 2024 e 2025, o banco investiu mais de R$ 11 bilhões em tecnologia, movimento que inclui aquisições estratégicas, como a startup NeoSpace. "O ia.i é uma interface proprietária de inteligência artificial generativa que se diferencia por não depender de bases de dados abertas. Ao integrar seu repertório exclusivo aos processos de atendimento, a tecnologia traduz dados estruturados em uma jornada de relacionamento personalizada.", explica.

Na entrevista, o executivo reflete sobre a transição do papel da liderança de tecnologia, "que agora atua como tradutora de inovações em alternativas concretas de negócios", destacando que a IA é fundamental para a interpretação do histórico de milhões de clientes. "O debate sobre IA é natural no conselho e nos altos níveis estratégicos das empresas, deixando de ser um assunto puramente técnico para ser uma discussão estratégica. Nosso papel, como liderança de tecnologia, é traduzir o impacto das inovações em alternativas de negócio, apresentando cenários e caminhos evolutivos para que o board escolha a direção estratégica".

EXAME: Qual a estrutura por trás dessa nova IA do Itaú que vocês chamaram de iai.itaú?

Ricardo Guerra: Desenvolvemos uma plataforma interna chamada Iara. Ela atua como um gateway que acessa diversas LLMs, incluindo modelos de mercado e motores proprietários desenvolvidos com a NeoSpace. A Iara decide, caso a caso, qual motor é mais eficiente para aquela interação específica, agindo como um grande orquestrador do que será a iai.itaú.

"O custo de IA pode explodir se não houver gestão, de forma semelhante ao que vimos na migração para a nuvem"

EXAME: O iai.itaú é uma tecnologia proprietária desenvolvida pelo banco ou um agregador?

Ricardo Guerra: Eu diria que é uma plataforma proprietária. Para informações internas do cliente, a inteligência é totalmente nossa. Para consultas genéricas, podemos utilizar modelos de mercado, alternando conforme a necessidade. Além disso, utilizamos ferramentas para ajustar esses modelos e, frequentemente, processamos respostas internamente por meio de machine learning, sem acionar LLMs externas, o que gera eficiência operacional.

EXAME: Entramos, de fato, na era dos agentes?

Ricardo Guerra: Um agente é treinado para um comportamento específico. Em vez de uma IA genérica, criamos agentes com funções pré-concebidas, como um voltado para recomendações de investimento. Eles se combinam dentro do nosso ecossistema, sob controle de motores de machine learning para assegurar o alinhamento estratégico.

"Em vez de uma IA genérica que toma decisões variáveis, criamos agentes com funções pré-concebidas"

EXAME: Como vocês gerenciam o custo e o uso de tokens diante do alto investimento exigido pela IA generativa?

Ricardo Guerra: O custo de IA pode explodir se não houver gestão, de forma semelhante ao que vimos na migração para a nuvem. Criamos mecanismos de controle que direcionam a consulta para o motor certo, pelo canal adequado. Muitas transações, como no "Pix no WhatsApp", resolvemos internamente para evitar o pagamento desnecessário de tokens. O foco é equilibrar eficiência de custos com geração de valor, seja por receita, satisfação ou novas ofertas.

EXAME: Por que uma empresa hoje precisa investir em múltiplos modelos? Isso não é contraproducente financeiramente?

Ricardo Guerra: O cenário é de imaturidade e alta competição. Os modelos evoluem rápido e não há sinais de estabilização. A diversificação é necessária porque cada um traz diferenciais técnicos e de custos distintos. Ainda estamos aprendendo a arquitetura econômica desse ecossistema, definindo o que vale a pena construir internamente versus o que compensa comprar.

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Luiz Gustavo Pacete

Luiz Gustavo Pacete

Consultor de Projetos Especiais

Pacete é jornalista, LinkedIn Top Voices, curador de marketing, tecnologia e inovação do Rio2C e SP2B, além de Consultor de Inovação, Conteúdo e Projetos Especiais da Exame.

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