Rússia não tem como usar cripto para driblar sanções, dizem especialistas

Especialista acredita que políticos não deveriam se preocupar se a Rússia pode usar criptomoedas para contornar sanções econômicas porque isso não é viável na escala necessária
 (NurPhoto/Getty Images)
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Por Cointelegraph BrasilPublicado em 02/03/2022 12:41 | Última atualização em 02/03/2022 12:41Tempo de Leitura: 5 min de leitura

Especialistas em criptomoedas têm falado bastante nos últimos dias sobre as preocupações expressas por políticos de alto escalão de que a Rússia está tentando driblar as sanções econômicas  impostas por países como EUA, Reino Unido, França e vários outros com a utilização de criptomoedas. Segundo eles, o temor é “totalmente infundado”.

Nas redes sociais, alguns nomes conhecidos do setor de cripto e blockchain afirmam que o mercado de criptomoedas não é grande nem profundo o suficiente para suportar o volume que a Rússia precisa e que a infraestrutura de ativos digitais do país é mínima.

A ex-secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, e a atual presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, estão entre as personalidades preocupadas com a possibilidade de as criptomoedas poderem fornecer os meios para a Rússia contornar severas sanções financeiras impostas por sua invasão à Ucrânia.

O país foi cortado do sistema de transações transfronteiriças SWIFT e empresas dos Estados Unidos e de outros países ocidentais estão proibidas de fazer negócios ou transações com bancos e com o Tesouro russos.

Diretor da Blockchain Association nos EUA, Jake Chervinsky postou um longo tópico no Twitter nesta quarta-feira, 2, explicando como “a Rússia não pode e não usará criptografia para evitar sanções”.

Chervinsky cita três razões pelas quais é improvável que a Rússia use criptomoedas para contornar as sanções dos EUA e de outros países. A primeira é que as sanções não se limitam ao dólar, e agora é ilegal que qualquer empresa ou cidadão dos EUA faça transações com a Rússia. Ele disse: “Não importa se eles usam dólares, ouro, conchas do mar ou bitcoin”.

A segunda razão é que as necessidades financeiras de uma nação como a Rússia excedem em muito as capacidades atuais do mercado de criptomoedas, que Chervinsky chamou de “muito pequenas, caras e transparentes para serem úteis para a economia russa”. Em outras palavras, mesmo que a Rússia pudesse acessar liquidez suficiente, ainda assim não poderia esconder suas transações em tal mercado.

Por fim, o país passou anos tentando ser “à prova de sanções”, mas não conseguiu construir nenhuma infraestrutura criptográfica significativa ou até mesmo finalizar a regulamentação de criptoativos no país. Chervinsky diz que as criptomoedas "simplesmente não parecem fazer parte dos planos da Rússia para mitigar os efeitos das sanções".

“A realidade é que Putin passou anos tentando tornar a Rússia à prova de sanções e as criptomoedas não fazem parte de seu plano. Sua estratégia incluía diversificar as reservas da Rússia em iuane e ouro (não cripto), transferir o comércio para a Ásia (não para blockchains), trazer a manufatura para o continente, etc.”

Chefe de Investigações de Fraudes na plataforma de pesquisa em blockchain Coinfirm, Roman Bieda, entretanto, disse à Al Jazeera em 1º de março que era possível, em geral, usar criptomoedas para “evitar sanções e esconder riquezas”, como foi feito por Coreia do Norte, Venezuela, e Irã. Outros especialistas, por outro lado, disseram que o caso da Rússia é diferente por causa da escala das sanções, da sua lenta taxa de adoção de criptomoedas e da falta de profundidade do mercado.

Ari Redbord, chefe de Assuntos Jurídicos e Governamentais da TRM Labs, disse que a transparência da blockchain era um impedimento natural para sancionar a evasão neste caso: “A Rússia não pode usar criptomoedas para substituir as centenas de bilhões de dólares que podem ser potencialmente bloqueados ou congelados”.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, estava ansiosa para que o projeto Markets in Crypto Assets (MiCA) fosse aprovado pelo Parlamento Europeu o mais rápido possível, a fim de fornecer às autoridades europeias os meios para que “ativos criptográficos possam realmente ser capturados.” Lagarde está pressionando para aprovar as políticas com urgência, a fim de evitar que Putin possa escapar de sanções com criptomoedas.

Em uma entrevista com Rachel Maddow na MSNBC esta semana, Hilary Clinton pediu ao presidente dos EUA, Joe Biden, que impeça a Rússia de negociar criptomoedas. Ela e Maddow discutiram as ameaças à segurança nacional que poderiam existir em relação às criptomoedas e Clinton disse: “O Departamento do Tesouro e os europeus devem analisar com afinco como podem impedir que os mercados de criptomoedas deem uma saída para a Rússia”.

“Fiquei desapontada ao ver que algumas das corretoras de criptomoedas, nem todas, mas algumas delas estão se recusando a encerrar transações com a Rússia por alguma filosofia do libertarianismo.”

A senadora democrata Elizabeth Warren também falou, em 1º de março, que os reguladores financeiros americanos devem examinar os ativos digitais porque correm o risco de “permitir que Putin e seus comparsas evitem a dor econômica”.

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