Pix começa a valer: qual o impacto para bancos e empresas de pagamento?

Novo sistema de pagamentos instantâneos começa a valer nesta segunda (16) e deve impactar não apenas as pessoas, mas também bancos e empresas

Novo sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, o Pix começa a funcionar sem restrições nesta segunda-feira (16). Com a promessa de acabar com as taxas de transferência e permitir operações 24 horas por dia, sete dias por semana, o Pix impactará diretamente não apenas na vida das pessoas, mas também de bancos e empresas.

No entanto, se engana quem pensa que o Pix será um desastre para os bancos, como pode parecer à primeira vista, já que o novo sistema tende a reduzir consideravelmente o número de operações via DOC e TED, que hoje são cobradas pelas instituições financeiras.

O Itaú, por exemplo, diz que taxas de TEDs e DOCs representam menos de 1% da receita de serviços do banco, e seu presidente Candido Bracher ainda cita o aumento no número de brasileiro bancarizados, que deve ser estimulado com o Pix, como um dos benefícios: “O Pix vai trazer reflexos importantes no mercado financeiro e deve beneficiar o Itaú com a bancarização de uma parte importante da população. Por outro lado, é de se esperar que boa parte dessas pessoas passe a usar o Pix ao invés de TEDs e DOCs. Isso deve ter um impacto inicial nas receitas com conta corrente do banco. Mas essas receitas representam menos de 1%, então esse impacto deve ser moderado“.

A agência de classificação de risco Moody’s, por sua vez, afirma que até 8% das receitas de taxas dos bancos deve desaparecer — o que é significativo, mas está longe de ser um grande problema: em 2019, os bancos brasileiros, somados, ganharam 2,2 bilhões de reais em processamento de TEDs e DOCs e outros 5 bilhões em boletos; ao mesmo tempo, apenas os quatro maiores bancos do país registraram lucro líquido de 81,5 bilhões de reais no período.

A receita com taxas de transferência e boletos não vai desaparecer instantaneamente, permitindo que os bancos se adaptem à nova realidade sem grandes prejuízos. Relatório do Morgan Stanley, por exemplo, não apenas afirma que “o Pix está fazendo mais barulho do que o necessário”, como ainda calcula que somente 2,7% da receita total dos bancos venham dos produtos potencialmente ameaçados pelo Pix, como transferências, boletos, pagamentos com cartão de débito e saques em caixas eletrônicos.

“Vemos um alto risco do Pix interromper as transferências eletrônicas e boletos, que são produtos bancários populares, mas caros e altamente ineficientes, mas vemos um risco muito baixo do Pix substituir os cartões de débito”, afirma o relatório, que também mostra que, se TEDs, DOCs e boletos renderam pouco mais de 7 bilhões de reais para os bancos em 2019, outros 35 bilhões vieram de taxas para manutenção de contas correntes. “Existe uma cultura profundamente enraizada de pagamentos com cartão. Quase todo mundo no Brasil carrega um cartão na carteira. Cerca de dois cartões de débito e um de crédito por adulto. Os gastos com cartão totalizam 39% do consumo pessoal”, diz o banco.

Ao mesmo tempo, a redução no uso de dinheiro físico que o Pix pode proporcionar seria positiva para as instituições financeiras, que gastam cerca de 10 bilhões de reais por ano com transporte e guarda de numerário, fora as despesas com segurança.

Setor de meios de pagamento terá que se adaptar

Diferentemente dos bancos, as empresas de meios de pagamento, que operam as populares maquininhas de cartão, podem sofrer impacto considerável com a chegada do novo sistema.

Um estudo feito pela consultoria alemã Roland Berger aponta que o mercado de adquirência pode deixar de arrecadar até 13 bilhões de reais por ano em receitas com a chegada do Pix. A projeção, entretanto, considera apenas o caso do Pix ser um sucesso absoluto, a ponto de substituir o uso de cartões de débito e das maquininhas.

“O Pix vai mudar o fluxo de pagamentos existente. Hoje, para uma transação acontecer é necessária uma conta origem e uma conta destino, mas também um emissor de cartão [banco], uma adquirente [dona da maquininha], uma bandeira de cartão e um processador [a conexão entre todos os outros intermediários]”, explicou João Bragança, diretor sênior da Roland Berger e especialista em meios de pagamento. “Não tem como negar que a rentabilidade para os intermediários da cadeia de pagamentos vai cair. As adquirentes, as bandeiras, as processadoras não vão gerar a mesma receita que têm hoje com os pagamentos que acontecem no dia a dia do brasileiro. E a solução é se adaptar ou ficar para trás, completou.

Para Bragança, o novo sistema pode representar uma quebra de paradigma na cadeia de valor dos pagamentos. Segundo ele, o Brasil é “um dos poucos países em que a autoridade monetária [Banco Central] se envolveu ativamente no desenvolvimento da plataforma” e que, por isso, a chance dele ganhar escala é grande, o que obriga as empresas de meios de pagamento a se adaptar a uma nova realidade.

Vantagens para lojistas e pessoas físicas

Se bancos e outras instituições financeiras terão que se adaptar à uma nova realidade, para o varejo e para os consumidores, o novo sistema só deve trazer benefícios.

Além da economia com taxas de DOCs, TEDs e boletos, o uso de QR codes e a liquidez instantânea devem ajudar a popularizar o sistema.

O aumento da concorrência no setor financeiro também é outro ponto positivo, pois deve aumentar a oferta de produtos e serviços e reduzir os seus custos.

Em testes desde o último dia 3, o Pix já apresenta números expressivos: em 12 dias de operações restritas, já foram mais de 735 milhões de reais movimentados no novo sistema, que já conta com mais de 30 milhões de pessoas físicas cadastradas, totalizando mais de 71 milhões de chaves.

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