Moonbirds: conheça a coleção de NFTs que vendeu US$ 200 mi em sua estreia

Com planejamento e senso de comunidade, investidores se sentiram seguros em investir na coleção de NFTs de coruja, mas a controvérsia foi inevitável no mundo dos criptoativos
Milhões de dólares, acusações de manipulação e o uso de informações privilegiadas cercaram o lançamento da Moonbirds (Moonbirds/Reprodução)
Milhões de dólares, acusações de manipulação e o uso de informações privilegiadas cercaram o lançamento da Moonbirds (Moonbirds/Reprodução)
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Mariana Maria SilvaPublicado em 19/04/2022 às 10:00.

O mundo dos NFTs tem uma nova queridinha. Trata-se da Moonbirds, a coleção de tokens não fungíveis que movimentou o mercado no último final de semana. Lançada no último sábado, 16, os avatares de corujinhas em pixels cativaram os investidores do setor.

Apenas alguns dias depois, as vendas da coleção ultrapassam os US$ 293 milhões, com uma estreia que tirou sucessos como Bored Ape Yacht Club e Azuki de sua zona de conforto no topo dos rankings semanal e mensal de negociações. Segundo dados do CryptoSlam, Bored Ape Yacht Club e Azuki negociaram US$ 27 e 18 milhões na última semana, respectivamente.

O projeto foi criado pela PROOF Collective, uma comunidade de NFTs liderada pelos empresários Kevin Rose e Ryan Carson, o que deixou os investidores animados para o seu lançamento. Rose é um empresário do ramo da tecnologia e cofundador das empresas Digg e Revision3. A PROOF se tornou conhecida no mundo dos NFTs com o seu podcast, que já recebeu nomes de destaque da indústria e mantinha audiência regular.

Segundo a comunidade, os NFTs da Moonbirds seriam os “avatares oficiais da PROOF”, e os seus donos não receberiam apenas uma imagem em formato JPEG, mas também o acesso a benefícios exclusivos. Durante a venda inicial, o valor mínimo de cada token não fungível era de 2,5 ETH, o equivalente a US$ 7.500. No momento, este valor está em 17,39 ETH, mas investidores chegaram a pagar 135 ETH pelos NFTs de coruja.

(Mynt/Divulgação)

Benefícios

Os 10 mil NFTs retratam diferentes tipos de corujas no estilo em pixels, já muito difundido por coleções como CryptoPunks. Por enquanto, os benefícios divulgados são o acesso à comunidade oficial da Moonbirds no Discord e o acesso antecipado ao futuro metaverso da coleção, ainda sem data de lançamento.

Outros benefícios poderão ser desbloqueados a partir do “nesting”, ou seja, “fazer um ninho” com os seus NFTs. O nome foi dado à prática de manter o ativo por um tempo sem vendê-lo. Quanto mais tempo você manter o seu NFT no “ninho”, maiores a recompensas que pode obter, segundo a PROOF.

Além disso, os membros que tiverem o Moonbird e o Collective Pass na mesma carteira vão ganhar um plano de fundo exclusivo para o seu NFT, que estará disponível enquanto o dono da carteira manter ambos os ativos. Caso realize a venda, o plano de fundo exclusivo se perde, voltando ao original.

O Collective Pass foi lançado pela PROOF em dezembro de 2021. Foram apenas mil unidades por 1 ETH cada, que nos mercados secundários são atualmente vendidas a partir de 97 ETH, ou aproximadamente US$ 283 mil. Os donos do Collective Pass puderam ganhar dois Moonbirds cada, enquanto 7.875 foram liberados para a venda.

Segundo a PROOF, todo o dinheiro arrecadado com as vendas primárias e secundárias de Moonbirds vai para o tesouro da comunidade e financiará iniciativas futuras, como a criação de conteúdo, experiências exclusivas e a organização de uma conferência sobre NFTs, planejada para 2023.

Controvérsias

O lançamento estrondoso da Moonbirds não agradou a todos. Alguns usuários do mundo dos NFTs não foram convencidos sobre a idoneidade do projeto, e acusações de manipulação de mercado e do uso de informações privilegiadas surgiram.

O COO e cofundador do projeto, Ryan Carson, causou polêmica no Twitter ao divulgar algumas de suas intenções para o projeto. Segundo Carson, “transparência é importante, principalmente em um lançamento tão grande”, e por isso ele decidiu divulgar sua estratégia para os tokens.

“4: Eu estarei esperando para adquirir Moonbirds raros, depois que o público tiver a chance de comprá-los primeiro. Atualmente, eu sei os números de raridade e seria antiético da minha parte compra-los antes que esse conhecimento se torne público”, escreveu Carson.

No entanto, o trecho da publicação causou controvérsia entre os seguidores do COO na rede social. Imediatamente, acusações de insider trading, ou seja, o uso de informações privilegiadas para negociações, foram feitas por usuários. Um dos argumentos utilizados, é o impacto que o COO tem no projeto e seus benefícios.

“Eu estou bastante curioso [para saber] como as pessoas se sentem sobre o COO da Moonbirds afirmar publicamente que vai atrás [dos NFTs] raros. Ele estará em posição para impactar a utilidade desses [NFTs] raros, dos benefícios de ninho, e de todo o plano de ação do projeto no geral. Tudo isso me soa muito como insider trading”, escreveu um usuário do Twitter, em resposta à publicação do COO. "Perdi minha confiança e vontade de investir no projeto", publicou outro.

O preço inicial dos tokens também foi um fator que não agradou uma série de investidores. Desde o lançamento, cada Moonbird não saía por menos de 2,5 ETH, ou aproximadamente US$ 7.500. O valor pode ser considerado inacessível para muitas pessoas, que não teriam a chance de investir no projeto.

“Estamos sendo apresentados a uma verdade inegável pela Moonbirds. Os NFTs não são acessíveis para novatos, sofrem com excesso de insider trading, funcionam à base de hype, e têm pouca ligação entre o preço e o valor entregue. Especulação de grandes investidores, insider trading... a mesma coisa que todos os outros mercados”, comentou um usuário do Twitter.

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