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Setor farmacêutico

Sob nova direção, Natulab positiva balanço e quer ter o próprio 'whey protein'

Adquirida pelo fundo Pettra em 2024, farmacêutica baiana reverteu margens e prepara entrada no mercado de suplementos

Ronnie Motta: executivo apostou em ganho de escala para reverter a crise da Natulab
Ronnie Motta: executivo apostou em ganho de escala para reverter a crise da Natulab
Mitchel Diniz

Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 29 de junho de 2026 às 05:00.

Quando o fundo Pettra, de Ronnie Motta, comprou o controle da farmacêutica Natulab do Pátria, em abril de 2024, tinha como missão rentabilizar a empresa. O negócio estava em dificuldades, com margem Ebitda negativa e dependente de capital externo. Só a dívida bancária estava em R$ 240 milhões.

Pouco mais de dois anos se passaram desde a transação e a situação financeira, hoje, é bem diferente. No primeiro trimestre de 2026, a margem que estava em -1,1% ficou positiva em 22%. O patrimônio líquido e o capital de giro também positivaram e a alavancagem chegou a níveis saudáveis. Os números absolutos não foram revelados.

Motta tinha recém-saído da presidência da Bombril quando assumiu a Natulab e tinha duas formas de reverter a situação: encolhendo a empresa ou ganhando escala. Ficou com a segunda opção. "A gente focou muito na escalabilidade porque não podíamos perder market share", diz o CEO ao INSIGHT.

Essa fatia, atualmente, é de 16,4% do mercado endereçável, segundo dados da consultoria IQVA. A cada 100 farmácias, 99 têm algum produto da farmacêutica, como o fitoterápico Seakalm e a Maxalgina (dipirona sódica).

Consumidor de baixa renda pressiona vendas

A nova fase da Natulab, porém, coincidiu com um "macro" complicado que atinge em cheio o seu público-alvo, o consumidor de baixa renda. No segundo semestre do ano passado, conta Motta, a retração do consumo ficou mais evidente. "A gente vê uma inacessibilidade por questão de poder de compra", afirma. A solução foi, literalmente, reembalar o negócio.

Produtos que antes eram vendidos somente em caixas com 30 unidades passaram a ser colocados nas prateleiras em blisters, com quatro a oito comprimidos. O tíquete é menor, reconhece Motta, mas ao menos a venda é mantida. "Eu tenho um preço menor, mas ao mesmo tempo utilizo menos caixa, papelão. O custo é menor, o frete também diminui."

Produção própria e contratos com grandes farmacêuticas

A Natulab opera duas fábricas em Santo Antônio de Jesus, no interior da Bahia. Além do portfólio próprio (são 150 SKUs), a empresa também produz medicamentos para terceiros, como Bayer, Neo Química, Hypera Pharma e Apsen.

"Não terceirizamos para qualquer um, só para quem é referência", diz Motta. No momento, a Natulab negocia com outras três empresas que querem entrar na parte de medicamentos isentos de prescrição médica (OTC, na sigla em inglês), mas não pretendem investir em estrutura própria de produção.

Segundo Motta, a empresa tem duas grandes pretensões no momento. A primeira é fornecer o produto que o consumidor compra sempre, não eventualmente. A outra é ser lembrada como uma empresa que preserva saúde, e não somente trata de sintomas.

Oriente Médio atrasa nova divisão de suplementos

Essa última esbarra em questões que não estavam no radar da farmacêutica até o começo deste ano. Já era esperado que 2026 fosse volátil, com Copa do Mundo, eleições presidenciais e uma quantidade de feriados acima da média. Mas o conflito no Oriente Médio, envolvendo Irã e Estados Unidos, foi uma surpresa negativa que encareceu o frete de insumos farmacêuticos e adiou o início de uma nova divisão de suplementos.

No momento, a Natulab tem um portfólio de polivitamínicos e repositores eletrolíticos para reidratação e reequilíbrio de fluidos corporais. Nesse segmento, inclusive, lançou um isotônico efervescente inédito no mercado, segundo a empresa. Mas o próximo passo é ter uma linha própria de whey protein, creatina e colágeno — produtos com alta demanda em meio à febre das canetas emagrecedoras.

"Não vamos voltar atrás da decisão de ter o nosso próprio whey protein, ainda que a matéria-prima esteja escassa. Estamos revisitando o nosso business plan, revendo custos", diz Motta. A intenção é que o novo portfólio chegue ao mercado agora na segunda metade do ano.

No futuro, a saúde preventiva deve se tornar um negócio com vida própria dentro da Natulab. "Com uma diretoria, uma gerência para focar de fato nesse nicho", conclui Motta.

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Mitchel Diniz

Mitchel Diniz

Editor de Invest

Jornalista há 20 anos, com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pela FIA Business School. Passou pelas redações de Valor, Folha de S. Paulo, GloboNews e InfoMoney.

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