Logo Exame.com
EMS

Exclusivo: Após Zolpidem, EMS traz novo remédio para insônia no Brasil

Daridorexanto, já vendido no exterior, aguarda aval da Anvisa e inaugura uma nova classe terapêutica no país

Marcos Sanchez, VP da EMS: meta de R$ 75 milhões em faturamento no primeiro ano do daridorexanto  (EMS/Divulgação)
Marcos Sanchez, VP da EMS: meta de R$ 75 milhões em faturamento no primeiro ano do daridorexanto (EMS/Divulgação)
Letícia Furlan

Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 14:57.

Última atualização em 3 de fevereiro de 2026 às 16:26.

A farmacêutica brasileira EMS firmou um acordo com a suíça Idorsia para trazer ao Brasil o daridorexanto, um novo medicamento para o tratamento da insônia. O fármaco, comercializado no exterior como Quviviq, está em fase de avaliação regulatória pela Anvisa, segundo o vice-presidente da companhia, Marcus Sanchez.

A aposta não surge do nada. Hoje, a EMS já domina um dos principais tratamentos para insônia no país. O Patz, nome comercial do zolpidem, é um medicamento de prescrição controlada lançado em 2015 pela farmacêutica e frequentemente descrito como o padrão-ouro para indução do sono.

"Ele vende mais de 100 mil unidades por mês no Brasil e gera um faturamento anual superior a R$ 100 milhões. É um produto central no portfólio da companhia e amplamente conhecido por médicos e pacientes. Mas queríamos agora um produto que entregasse um diferencial”, afirma Sanchez.

É nesse ponto que entra o daridorexanto: o medicamento é visto pela empresa como uma evolução tecnológica, não apenas um substituto dos tratamentos já existentes. A promessa é oferecer um sono mais fisiológico e contínuo, próximo do sono natural. Segundo Sanchez, o fármaco foi desenvolvido para interromper sua ação no momento em que o paciente acorda, evitando o cansaço residual ao longo do dia.

O preço do sono

O acordo de licenciamento envolve um montante de US$ 20 milhões, além do pagamento de royalties atrelados ao desempenho comercial do produto. O desembolso será feito de forma escalonada: parte foi paga na assinatura do contrato, e o restante está condicionado ao cumprimento de marcos regulatórios até o lançamento. Os royalties passam a ser devidos após o início das vendas.

A estratégia da EMS vai além do mercado brasileiro. A companhia pretende solicitar o registro do medicamento no México, com expectativa de início da comercialização por volta de meados de 2028.

No Brasil, as projeções são agressivas. A meta é faturar cerca de R$ 75 milhões nos primeiros 12 meses após o lançamento. A projeção é de 16,5 milhões de comprimidos ao ano.

Ao menos neste primeiro momento, o modelo de negócio prevê que o medicamento chegue ao país totalmente produzido e embalado na Suíça. Embora a produção local até pudesse reduzir custos e ampliar o acesso, a Idorsia ainda não aceita a transferência de tecnologia, mantendo a fabricação sob controle próprio.

Sanchez diz não haver uma data oficial, mas que acredita que o medicamento comece a ser vendido em meados de 2027. Além do registro sanitário, o preço do medicamento no Brasil precisa ser definido pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) antes de chegar ao mercado.

A aposta ocorre em um contexto de alta prevalência de distúrbios do sono no país. Dados de estudos citados pela Fiocruz e pela Associação Brasileira do Sono indicam que cerca de 72% dos brasileiros relatam algum tipo de alteração no sono.

A insônia está associada a impactos diretos na saúde mental, no risco cardiovascular e na produtividade no trabalho. Ainda assim, o tratamento segue marcado pelo uso recorrente de medicamentos com efeitos colaterais relevantes ou risco de dependência.

O acordo com a Idorsia também reforça a estratégia da EMS de acessar moléculas proprietárias desenvolvidas fora do país. A farmacêutica suíça tem no daridorexanto um de seus principais ativos globais.

Para a Idorsia, a parceria amplia o alcance do medicamento em um mercado relevante e ainda pouco explorado por terapias de nova geração.

Uso indiscriminado do zolpidem

O zolpidem pode provocar efeito rebote e episódios de amnésia ou esquecimento — fenômenos relativamente comuns nessa classe terapêutica. Há casos em que o paciente acorda durante a noite, fala ou realiza ações e não se recorda do ocorrido no dia seguinte.

A empresa reconhece ainda que parte dos usuários entra em ciclos de abuso, chegando a consumir dezenas de comprimidos, o que exige um processo estruturado de “desmame”, com retirada gradual da medicação.

Para mitigar esses riscos, a EMS afirma adotar uma série de medidas preventivas: o Patz é vendido exclusivamente sob receita controlada, há monitoramento próximo junto à classe médica e investimento contínuo em programas de educação médica, com discussão de casos clínicos e troca de experiências, inclusive internacionais.

A companhia diz não incentivar o uso crônico indiscriminado e reforça a importância do uso racional, alertando para os perigos da associação com álcool ou do consumo sem acompanhamento médico, especialmente em pacientes com depressão.

“Apesar de ser uma molécula considerada padrão-ouro, em nenhum momento incentivamos o uso inadequado do produto. Pelo contrário. Essa é uma preocupação central tanto nossa quanto dos médicos. Quando o produto é utilizado da forma correta, o resultado é positivo", explica Sanchez.

Do sono às canetas emagrecedoras

Para a EMS, o movimento ocorre em paralelo a outros investimentos estratégicos. Em 2024, a companhia inaugurou a primeira fábrica de peptídeos do Brasil, voltada à produção de análogos de GLP-1, como liraglutida e semaglutida, usados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.

A farmacêutica foi a primeira a colocar na rua uma versão brasileira dos análogos de GLP-1, em agosto de 2025. Pouco mais de um mês depois do lançamento oficial, o desempenho já surpreendia, com as vendas 20% acima das expectativas.

À época, ao INSIGHT, Sanchez afirmou que a projeção de faturamento em 12 meses era de R$ 100 milhões a R$ 120 milhões

Para quem decide. Por quem decide.

Saiba antes. Receba o Insight no seu email

Li e concordo com os Termos de Uso e Política de Privacidade

Letícia Furlan

Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero e pós-graduada pela Fundação Getulio Vargas, foi repórter de negócios, carreira e mercado de trabalho na Editora Abril. Na EXAME, cobre empresas listadas na bolsa e mercado imobiliário.

Continua após a publicidade
Exclusivo: Após Zolpidem, EMS traz novo remédio para insônia no Brasil

Exclusivo: Após Zolpidem, EMS traz novo remédio para insônia no Brasil

De volta ao jogo? Sanchez, da EMS, aumenta fatia na Hypera

De volta ao jogo? Sanchez, da EMS, aumenta fatia na Hypera