Grupo Leste entra em data center de US$ 1,75 bilhão nos EUA
Gestora participa do empreendimento com a Harrison Street e oferecerá a investidores brasileiros acesso à operação, que já tem contrato de locação por 15 anos


Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHT
Publicado em 8 de outubro de 2026 às 09:00.
RESUMO +
O Grupo Leste, gestora brasileira de investimentos alternativos, participa como coinvestidor de um projeto de data centers de US$ 1,75 bilhão em Ohio, nos Estados Unidos, apurou a publicação EXAME Insight. Desenvolvido com a gestora americana Harrison Street, o campus terá quatro edifícios, capacidade de 324 MW e contrato de locação de 15 anos. A conclusão é prevista em quatro anos.
O Grupo Leste, gestora brasileira de investimentos alternativos com mais de US$ 4,5 bilhões no portfólio, participa como coinvestidor de um projeto de data centers de US$ 1,75 bilhão em Ohio, nos Estados Unidos, apurou o EXAME Insight.
Desenvolvido em parceria com a gestora americana Harrison Street, o campus terá quatro edifícios e capacidade total de 324 megawatts (MW). Toda a área já está locada para uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, em um contrato de 15 anos.
A operação prevê US$ 400 milhões em capital próprio, majoritariamente de investidores institucionais americanos. Uma parcela será oferecida à base de investidores brasileiros do Leste por meio de um fundo dedicado ao projeto, com aporte mínimo de US$ 2,5 milhões.
O horizonte estimado do investimento é de quatro anos, período previsto para a construção do campus. A estratégia é vender o empreendimento a um investidor institucional americano depois de concluído e em operação, já gerando receita de aluguel.
Contrato assinado
A empresa que ocupará o complexo não teve o nome revelado. No mercado, a estimativa é que a locatária seja a Nvidia, fabricante de chips que vem ampliando sua atuação no financiamento e na viabilização de infraestrutura para inteligência artificial.
Em agosto, a Nvidia concordou em destinar até US$ 105 bilhões para viabilizar outro complexo de data centers em Ohio, que será alugado pela OpenAI. Localizado no condado de Pike, o projeto prevê até 8 gigawatts de capacidade, com os primeiros 800 MW programados para entrar em operação até 2028. A instalação será construída e operada pela SB Energy, empresa apoiada pelo SoftBank.
A incorporação ficará a cargo da Panattoni, empresa especializada no desenvolvimento de imóveis industriais e de infraestrutura. A companhia já entregou mais de 90 projetos para a mesma empresa de tecnologia que ocupará o campus, segundo interlocutores. Os quatro edifícios somarão aproximadamente 81 mil metros quadrados e seguirão o modelo powered shell, no qual as estruturas são preparadas para receber os equipamentos e a infraestrutura tecnológica do ocupante.
Tese do negócio
A tese do investimento combina a demanda por capacidade computacional, impulsionada pela inteligência artificial e pela computação em nuvem, com um contrato de locação de longo prazo. A disponibilidade de energia e a baixa vacância de imóveis desse tipo na região também estão entre os fundamentos considerados pelos investidores.
Para o Leste, a operação amplia o acesso de sua base brasileira ao mercado imobiliário ligado à infraestrutura digital americana. A participação se concentra no desenvolvimento do imóvel que abrigará o data center, com a receita de aluguel contratada e a venda do ativo como estratégia de saída.
'Perguntas frequentes'
Qual é o valor do projeto de data centers em Ohio? +
O projeto de data centers em Ohio está avaliado em US$ 1,75 bilhão. O campus terá quatro edifícios, cerca de 81 mil metros quadrados e capacidade total de 324 megawatts.
Qual será a participação do Grupo Leste no projeto? +
O Grupo Leste participa como coinvestidor e oferecerá parte do investimento à sua base brasileira por meio de um fundo dedicado ao projeto. O aporte mínimo será de US$ 2,5 milhões.
Qual empresa ocupará o campus de data centers? +
O nome da empresa de tecnologia que ocupará o complexo não foi revelado. No mercado, a estimativa é que a locatária seja a fabricante de chips Nvidia, mas essa informação não foi confirmada.
Como será financiada a construção do campus? +
A operação prevê US$ 400 milhões em capital próprio, aportado majoritariamente por investidores institucionais americanos. Uma parcela será destinada aos investidores brasileiros do Grupo Leste.
Qual é o prazo e a estratégia de saída do investimento? +
O horizonte estimado é de quatro anos, período previsto para a construção do campus. Após a conclusão e o início da receita de aluguel, a estratégia é vender o empreendimento a um investidor institucional americano.
Por que o projeto de data centers é considerado atrativo? +
A tese combina a demanda por capacidade computacional, impulsionada pela inteligência artificial e pela computação em nuvem, com um contrato de locação de 15 anos. A disponibilidade de energia e a baixa vacância desse tipo de imóvel na região também sustentam o investimento.
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Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHTJornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com
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