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Com US$ 40 milhões do Vale do Silício, Pax reúne ex-big techs para combater crime no Brasil

Com profissionais que recusaram propostas da OpenAI e da Anthropic, startup reúne ex-funcionários de gigantes de tecnologia e egressos de Harvard, MIT, Stanford e ITA para aplicar inteligência artificial à segurança pública brasileira

SAO PAULO, SP - 01 SETEMBRO: Retratos do time da PAX, no escritorio em Pinheiros, em Sao Paulo, em 01 de setembro de 2026 (Foto: Renato Stockler) (Reprodução/Reprodução)
SAO PAULO, SP - 01 SETEMBRO: Retratos do time da PAX, no escritorio em Pinheiros, em Sao Paulo, em 01 de setembro de 2026 (Foto: Renato Stockler) (Reprodução/Reprodução)
Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Publicado em 28 de setembro de 2026 às 12:12.

RESUMO +

A Pax, startup brasileira de inteligência artificial para segurança pública fundada há menos de dois anos, reuniu cerca de 90 profissionais e captou US$ 40 milhões em rodada liderada pelos fundos Benchmark e Greenoaks. A empresa usa IA para integrar dados policiais e apoiar a identificação de suspeitos, a localização de foragidos e a recuperação de veículos em quatro estados.

Um engenheiro recusou uma proposta milionária da Anthropic, uma das principais desenvolvedoras de inteligência artificial do mundo. Outro disse não à OpenAI, criadora do ChatGPT. Uma jovem formada em Harvard abriu mão de uma vaga garantida em uma das maiores consultorias globais e, um dia depois da formatura, desembarcou sozinha em São Paulo. Outros deixaram empresas como Palantir e Meta, além de carreiras construídas no exterior.

O destino dessas decisões foi o mesmo: a Pax, startup brasileira que quer usar inteligência artificial para enfrentar um dos problemas mais complexos do país, a segurança pública.

Fundada há menos de dois anos, a empresa já levantou US$ 40 milhões em uma rodada liderada pela Benchmark, um dos fundos mais conhecidos do Vale do Silício, e pela Greenoaks. Entre os investidores também estão nomes ligados à criação de empresas como Coinbase, Instacart, Plaid e Airwallex.

O capital está sendo usado para sustentar uma aposta que vai além do desenvolvimento de software: reunir profissionais disputados pelo mercado global de tecnologia e colocá-los para trabalhar em problemas como a identificação de criminosos, a localização de foragidos e o cruzamento de informações que possam acelerar investigações policiais.

Em pouco menos de dois anos, a Pax formou um time de aproximadamente 90 pessoas, das quais quase 50 são engenheiros. Um quinto dos funcionários passou por universidades como Harvard, MIT, Stanford e Oxford. Outros 20% vieram do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Juntos, os profissionais acumulam quase 200 medalhas em olimpíadas de matemática, física e informática.

A concentração de talentos não é consequência do crescimento da empresa, mas parte da estratégia de negócios desde sua fundação. "Os talentos estão em todas as áreas da empresa, da engenharia ao comercial. E a grande motivação é a possibilidade de deixar um legado concreto para a sociedade", afirma David Peixoto, CEO da Pax.

Davi e Golias

A estratégia de recrutamento da Pax parte de uma premissa defendida por Peixoto: profissionais de alto desempenho tendem a atrair outros profissionais com características semelhantes. Para o executivo, começar uma empresa com um time mediano torna mais difícil construir uma equipe de excelência posteriormente. Por isso, a busca por talentos se tornou uma das prioridades da startup desde o primeiro dia. "Pessoas boas gostam de estar perto de outras pessoas boas", diz Peixoto.

A filosofia também está refletida na trajetória dos fundadores. Lucas Fox foi ainda adolescente para o Vale do Silício e participou da construção da Brex, fintech fundada por brasileiros nos Estados Unidos. Phyllipe Medeiros construiu parte da carreira na Meta. Fernando Czapski passou pelo Nubank durante sua fase de expansão e fez MBA em Harvard. Peixoto, por sua vez, já havia criado e vendido empresas antes de assumir como CEO da Pax.

De Harvard para a segurança pública

Nathalie Milbradt, que hoje integra a equipe de relacionamento com clientes da Pax, é um exemplo desse movimento. Filha de uma faxineira e de um caminhoneiro no Rio Grande do Sul, foi a primeira pessoa da família a estudar fora do Brasil. Conquistou uma bolsa integral em Harvard e terminou a graduação com um contrato garantido em uma das maiores consultorias do mundo.

O plano mudou depois de conhecer a Pax em um evento realizado pela startup no campus da universidade, em Boston. Um dia após a formatura, Nathalie desembarcou sozinha em São Paulo para começar a trabalhar na empresa.

Raíssa Pimentel se formou em primeiro lugar no ITA e hoje integra a equipe de operações. Filipe Coimbra saiu de Pernambuco para estudar na mesma instituição, onde se formou com honras, e posteriormente trabalhou na Palantir, companhia americana especializada em plataformas de análise de dados para governos e empresas.

Gabriel Simões conquistou medalha de prata em uma competição mundial de computação, estudou na Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos, e também passou pela Palantir antes de ingressar na Pax.

O grupo inclui ainda Luísa Shida, formada em Harvard e com passagem por um programa de Direito em Columbia; Ana Schuch, que alcançou uma das maiores notas já registradas por uma mulher na história do ITA; e Vitor Camargo, que estudou em Yale e obteve a nota máxima no GMAT, exame utilizado em processos de admissão de escolas de negócios.

Primeiro o problema, depois a tecnologia

A concentração de profissionais com experiência em algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo está diretamente ligada à maneira como a Pax desenvolve seus produtos. Em vez de criar uma plataforma e posteriormente procurar aplicações para ela, a startup adotou o caminho inverso.

As equipes foram a campo acompanhar a rotina de policiais e investigadores, entender como as informações são coletadas, identificar gargalos operacionais e mapear as dificuldades enfrentadas pelas forças de segurança.

O diagnóstico apontou para um problema recorrente: embora os órgãos públicos disponham de grandes volumes de informações, esses dados frequentemente estão dispersos em sistemas diferentes, dificultando a identificação de conexões relevantes para uma investigação.

A partir daí, a Pax desenvolveu uma plataforma que utiliza inteligência artificial para integrar informações como imagens de câmeras, boletins de ocorrência, registros de veículos e outras bases de dados.

A tecnologia permite cruzar registros e apresentar aos investigadores possíveis relações que, manualmente, poderiam exigir horas ou dias de trabalho. Uma característica de um veículo, uma passagem por determinada câmera ou um registro associado a outra ocorrência, por exemplo, podem se transformar em novas linhas de investigação.

O desenvolvimento também considera as diferenças entre as regiões atendidas. A dinâmica criminal, a infraestrutura disponível e os processos de trabalho das forças policiais variam entre estados e municípios, o que exige adaptações da tecnologia à realidade de cada operação.

A empresa já acumula aplicações em Goiás, Paraná, São Paulo e Ceará, com casos relacionados à identificação de suspeitos, localização de foragidos e recuperação de veículos.

'Perguntas frequentes'

O que faz a startup brasileira Pax? +

A Pax desenvolve uma plataforma de inteligência artificial para integrar informações como imagens de câmeras, boletins de ocorrência, registros de veículos e outras bases de dados. A tecnologia apresenta aos investigadores possíveis relações entre os registros para acelerar investigações policiais.

Quanto a Pax captou de investidores? +

A Pax levantou US$ 40 milhões em uma rodada liderada pela Benchmark, fundo do Vale do Silício, e pela Greenoaks. A empresa usa o capital para desenvolver sua tecnologia e contratar profissionais disputados pelo mercado global.

Quem trabalha na equipe da Pax? +

A Pax possui cerca de 90 funcionários, dos quais quase 50 são engenheiros. Um quinto da equipe passou por Harvard, MIT, Stanford ou Oxford, outros 20% vieram do ITA e, juntos, os profissionais acumulam quase 200 medalhas em olimpíadas de matemática, física e informática.

Por que profissionais deixaram empresas globais para trabalhar na Pax? +

Segundo David Peixoto, CEO da Pax, a principal motivação dos profissionais é a possibilidade de deixar um legado concreto para a sociedade. A equipe reúne pessoas com passagens por empresas como Palantir, Meta, Nubank e Brex, além de profissionais que recusaram propostas da Anthropic e da OpenAI.

Como a Pax desenvolveu sua plataforma de inteligência artificial? +

A Pax acompanhou a rotina de policiais e investigadores antes de desenvolver a plataforma, com o objetivo de entender a coleta de informações e identificar gargalos operacionais. A empresa constatou que os dados dos órgãos públicos costumam estar dispersos em diferentes sistemas, o que dificulta encontrar conexões relevantes.

Em quais estados a tecnologia da Pax já é utilizada? +

A Pax já possui aplicações em Goiás, Paraná, São Paulo e Ceará. Os casos envolvem identificação de suspeitos, localização de foragidos e recuperação de veículos.

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Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com

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