Apesar dos desafios, mulheres executivas estão otimistas com oportunidades de negócios e ESG

Pesquisa da KPMG com participantes de 53 países revela perfil das mulheres executivas, desafios na jornada pessoal e profissional e percepções sobre macroeconomia, negócios e ESG

 (monkeybusinessimages/Getty Images)
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Marina Filippe
Marina Filippe

Repórter de ESG

Publicado em 19 de fevereiro de 2024 às 11h24.

Última atualização em 19 de fevereiro de 2024 às 11h57.

O atual cenário macroeconômico desafiador não tem desanimado as mulheres executivas, conforme aponta estudo Global Female Leaders Outlook 2023, da consultoria KPMG, no qual 80% das participantes afirmam estar otimistas diante das oportunidades que os cenários de crises podem oferecer e 78% avaliam positivamente estarem em posições de liderança nesse momento desafiador na esfera global. Contudo, apenas 6% delas sentem-se adaptadas ao “novo normal”.

O estudo, com 839 participantes, de 53 países, sendo 46 brasileiras, objetiva trazer as expectativas e a importância do potencial das líderes femininas para conduzir empresas em um mundo com cenário de incertezas e constantes mudanças, como as emergências climáticas. “Constatamos que, mesmo em um ambiente econômico e social volátil, as executivas estão otimistas com as oportunidades que podem resultar desse cenário turbulento e não superestimam os obstáculos”, afirma Janine Goulart, sócia de People Services e líder do pilar KNOW da KPMG Brasil.

O estudo traça um perfil sobre quem são as mulheres que exercem cargos de liderança no mundo. Um quarto (25%) das executivas atua no setor financeiro. No Brasil esse índice é de 20%. Quanto à vida pessoal, 21% delas não têm cônjuge (22% no Brasil), 70% delas são mães (72% no Brasil) e a maioria, quatro em cada cinco, têm cônjuges que trabalham em tempo integral (76% no Brasil). Apenas 10% afirmaram ser a única fonte de renda da família.

A rotina de uma executiva também foi um ponto evidenciado: mais da metade (56%) trabalha 50 horas ou mais a cada semana em atividades remuneradas, enquanto no Brasil esse percentual é de 22%.

Desafios pessoais e profissionais

Os grandes desafios também foram citados, sendo o primeiro deles a jornada dupla: 38% das mulheres disseram ser as principais responsáveis pelas tarefas domésticas (35% no Brasil), uma média de 20 horas por semana é dedicada às tarefas domésticas pelas participantes globais – entre as brasileiras, a média é de 23 horas. Isso equivale a quase 3 dias úteis a mais por semana, de trabalho não remunerado, restando somente 15 horas para o lazer (incluindo os finais de semana) para as executivas globais, e cerca de 12 horas para as brasileiras.

O total é de 69 horas de trabalho semanal, em média, para as líderes globais, e de 70 horas para as líderes no Brasil. Um quarto das entrevistadas globais relata 80 horas ou até mais de trabalhos semanais, estando as brasileiras acima desse índice, com 35%. Uma em cada três mulheres menciona não ter ajuda externa nas tarefas domésticas e apenas 4% no Brasil e no mundo disseram que têm cônjuge que assume a principal responsabilidade por essas atividades.

A jornada da carreira também foi abordada na pesquisa: 80% delas (85% no Brasil) mudaram de empresa pelo menos uma vez para conseguirem melhores oportunidades em suas carreiras. Mais da metade (63%) da amostra global e 54% no Brasil tem uma sucessora mulher na instituição.

Outra conclusão da publicação da KPMG é que a alta demanda profissional afetou a vida pessoal de 71% das respondentes, e 69% delas se sentem sobrecarregadas por enfrentarem crises intermináveis. Por isso, 55% ressentem-se com o esgotamento físico e mental.

“Algo que não pode ser ignorado é a carga mental que as mulheres sofrem constantemente tendo de conciliar as atribuições que exercem nos diversos papéis que cumprem na sociedade, além das funções cotidianas consideradas menos importantes. Estudos comprovam que essa carga mental é mais forte em mulheres que em homens”, diz Patrícia Molino sócia de Cultura e Gestão de Mudanças e líder do Comitê de Inclusão, Diversidade e Equidade (CIDE) da KPMG no Brasil e na América do Sul.

Outro ponto importante do estudo foi que, embora ainda haja relatos de enfrentamento de estereótipos e preconceito, três em cada quatro mulheres esperam ter igualdade de gênero nos próximos 15 anos. Mesmo com todos esses desafios no cenário mundial, e a atividade intensa que exige a vida profissional qualificada, pessoal e familiar de uma mulher executiva, a liderança feminina, segundo a pesquisa, com sua característica resiliente e polivalente de adaptabilidade e agilidade, é fundamental nas instituições que querem enfrentar as policrises do mundo contemporâneo.

Estratégia em ESG

Um capítulo do estudo é exclusivamente dedicado ao ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança). Neste sentido, 47% esperam que o ESG tenha um efeito positivo no crescimento da empresa. Trinta e nove por cento delas querem focar na agenda ambiental nos próximos três anos, 29% na social e 22% na governança. Mais da metade (67%) relatou aumento na demanda por relatórios e transparência em ESG..

Quando o assunto é equidade de gênero, 75% dizem que metas de equidade de gênero no C-level ajudam a alcançar os objetivos. Ao mesmo tempo, 64% assumiram que foram confontradas com esteriótipos de gênero nos últimos três anos, e  51% dizem que o "clube dos homens" ainda existe, mas, para 49%, o "clube das mulheres" também é uma experiência nas organizações.

O estudo completo é encontrado no site da KPMG.

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