8 grandes nomes da economia que morreram em 2019

Conheça os economistas brasileiros e estrangeiros que deixaram sua marca no mundo econômico e que se foram ao longo do ano

São Paulo — Da Índia aos Estados Unidos, atuando na academia ou nos governos, nomes importantes da economia se foram em 2019.

A morte mais recente, no início da semana passada, foi a de Paul Volcker, que levou status de celebridade ao cargo de presidente do Federal Reserve (Fed) no final dos anos 70.

Já Alan Krueger, professor reconhecido por trabalhos pioneiros e assessor econômico de Bill Clinton e Barack Obama, morreu ainda em março.

O brasileiro João Paulo dos Reis Veloso, que morreu em fevereiro, idealizou o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), até hoje um dos mais importantes do país.

De uma forma ou de outra, todos eles ajudaram a moldar a forma como suas nações e o mundo enxergam grandes temas, e os frutos do seu trabalho são colhidos até hoje.

Saiba mais sobre essas oito personalidades:

Paul Volcker – 8 de dezembro

Paul Volcker, Ex-presidente do Fed.

Presidente do Federal Reserve (Fed) entre 1979 e 1987, Volcker foi o primeiro a trazer status de celebridade ao cargo

Foi na sua gestão que o Fed fez um choque de alta nos juros para controlar a inflação americana, que subira ao maior nível desde a década de 1940. A decisão ajudou a quebrar países emergentes que estavam altamente endividados – como o Brasil.

Volcker também serviu como consultor financeiro do ex-presidente americano Barack Obama em meio ao colapso financeiro de 2008 e deu forma ao que ficou conhecido como “regra de Volcker”.

A regulação, que impede os bancos de fazer investimentos de alto risco com o dinheiro dos depositantes, foi incluída na reforma do sistema financeiro aprovada após a crise e está sendo revisada pelo governo Trump.

De estilo de vida modesto, Volcker morreu aos 92 anos após lutar contra um câncer de próstata.


Fernão Botelho Bracher – 11 de fevereiro

O banqueiro Fernão Bracher: enfarte enquanto estava hospitalizado devido a uma queda

Bracher criou o maior banco de investimentos do país, o BBA, em 1988, um ano depois de ter desistido da carreira pública.

Entre 1974 e 1979, ele foi diretor do Banco Central e, entre 1985 e 1987, presidiu a autoridade monetária.

Após sua morte, o BC publicou uma nota lembrando das contribuições de Bracher às áreas de desregulamentação do mercado de câmbio, combate à inflação e renegociação da dívida externa.

Apesar de ter se formado em direito pela Universidade de São Paulo, em 1957, ele entrou cedo na carreira de banqueiro ao tornar-se diretor no Banco da Bahia, em 1961.

Morreu aos 83 anos em decorrência de complicações após bater a cabeça em uma queda.


Alan Krueger – 16 de março

Alan Krueger

Krueger foi assessor econômico dos ex-presidentes americanos Bill Clinton (1993-2001) e Barack Obama (2009-2017). Desse último, foi um dos principais conselheiros durante a crise financeira de 2008.

Entre 2009 e 2010, Kruger foi subsecretário do Tesouro e, entre 2011 e 2013, presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Presidência.

Professor na Universidade de Princeton, Kruger ganhou notoriedade no início dos anos 90 com um trabalho que desafiou o entendimento da época ao mostrar que altas no salário mínimo não causavam necessariamente alta no desemprego.

Morreu aos 58 anos após tirar sua vida.


Walter Barelli – 18 de julho

Walter Barelli

Com uma carreira ligada a questões trabalhistas, o economista foi professor universitário e diretor do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos).

Na vida pública, Barelli atuou como deputado federal (2003-2007) e secretário estadual, além de ter sido ministro do trabalho de Itamar Franco. 

Barelli também assessorou Lula na parte econômica na época da sua primeira candidatura à Presidência, em 1989.

Morreu aos 81 anos de complicações após bater a cabeça em uma queda.


Alice Rivlin – 14 de maio

Alice Rivlin, ex-diretora do departamento de orçamento dos EUA.

Alice foi primeira mulher a ocupar o cargo de diretora do departamento de orçamento nos Estados Unidos, durante o mandato do ex-presidente Bill Clinton, entre 1993 e 1994. A posição é uma das mais importantes do poder Executivo no país.

No final dos anos 90, ela também foi vice-presidente do Fed. Com doutorado em economia em Harvard, Alice também havia sido a primeira diretora do departamento de orçamento do Congresso, de 1975 a 1983.

Em 2018, em uma entrevista ao site americano NPR, Alice falou do preconceito que enfrentou na vida pública em um campo onde há poucas mulheres em posições de destaque.

Segundo ela, o chefe do comitê de orçamento do congresso havia dito que uma mulher só ocuparia aquele cargo sobre seu cadáver.

Morreu de câncer, aos 88 anos.


Martin Weitzman – 27 de agosto

Martin Weitzman

Nome pioneiro da economia ambiental e professor em Harvard, Weitzman questionava a ideia de que a preservação do meio ambiente poderia ser pensada apenas pela ótica do custo benefício, com mecanismos como créditos de carbono e tributação de agentes poluidores, por exemplo.

“Seu estudo intitulado ‘Prices vs. Quantities in The Review of Economic Studies’ (preços e quantidades nos estudos sobre economia, da tradução em inglês), é um dos mais citados no campo da economia ambiental e continua a impulsionar novos estudos sobre o tema”, escreveu a Harvard na nota de pesar.

Morreu aos 77 anos após tirar sua vida.


Arun Jaitley – 24 de gosto

Arun Jaitley, ex-ministro da economia da Índia

Jaitley foi ministro das Finanças da Índia entre 2014 e maio de 2019, período no qual encampou planos audaciosos do primeiro-ministro indiano Narendra Modi.

Em 2016, uma “desmonetização” surpresa foi feita retirando quase 90% do dinheiro em circulação no país. Num primeiro momento, centenas de milhões de pessoas ficaram sem acesso a fundos.

O objetivo principal, segundo o governo, era reprimir a evasão fiscal e o “dinheiro sujo”, além de promover pagamentos digitais.

Em 2017, Jaitley liderou a maior reforma tributária da história do país, com a implementação de um imposto sobre bens e serviços que unificou um sistema complexo de impostos nacionais e estaduais.

Morreu aos 66 anos dias depois de dar entrada no hospital com falta de ar.


João Paulo dos Reis Veloso – 19 de fevereiro

João Paulo dos Reis Velloso

Durante a ditadura militar, Reis foi secretário-geral do Ministério do Planejamento do governo Médici, em 1969, com Delfim Neto na Fazenda, e tomou a iniciativa de convencer o governo de que a secretaria devia ser um órgão da Presidência da República.

Como Ministro do Planejamento entre 1969 e 1979, Reis fez parte da criação de órgãos como o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), do qual também foi o primeiro presidente, e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Morreu aos 87 anos com a saúde debilitada pela idade avançada.

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