Economia

Especialistas preveem dificuldades para setor siderúrgico

A entrada de produtos siderúrgicos chineses na América Latina foi tão agressiva que, no caso da Venezuela, representam 81% das importações do setor


	Indústria siderúrgica: o Instituto Aço Brasil, organizador do congresso, prevê que o Brasil elevará sua produção de aço em 5,8% este ano, até 36,5 milhões de toneladas.
 (Sean Gallup/Getty Images)

Indústria siderúrgica: o Instituto Aço Brasil, organizador do congresso, prevê que o Brasil elevará sua produção de aço em 5,8% este ano, até 36,5 milhões de toneladas. (Sean Gallup/Getty Images)

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Da Redação

Publicado em 8 de maio de 2013 às 16h32.

Rio de Janeiro - O excesso de capacidade ociosa e a crescente importação de aço chinês por países latino-americanos trarão nuvens negras ao setor siderúrgico da região em curto e médio prazo, pelo menos na opinião de alguns especialistas reunidos no 24º Congresso Brasileiro do Aço que começou nesta quarta-feira no Rio de Janeiro.

"O excesso de produção no mundo está levando a região a importar cada vez mais produtos siderúrgicos, principalmente da China, e em muitos casos subsidiados, o que provoca desindustrialização e desemprego no setor na América Latina", alertou o presidente do grupo siderúrgico argentino Ternium, Daniel Novegil.

O presidente da empresa de consultoria Reserch & Consultin Group AG, Joaquim Schröder, que também participa do congresso, considerou que foi "uma decisão inteligente" a das siderúrgicas da América Latina de adiar seus planos de investimento "até encontrar um momento mais oportuno".

As fábricas têm atualmente uma capacidade ociosa de produção de 550 milhões de toneladas anuais no mundo que equivalem a quase 30% da capacidade total, sem contar as usinas que devem entrar em operação na China e Índia em curto prazo, segundo os dados da Reserch & Consultin Group AG.

As próprias siderúrgicas latino-americanas estão operando a apenas 75% de sua capacidade e não têm onde colocar seus excedentes.


"A produção siderúrgica vem caindo na maioria dos países e não há perspectivas de recuperação em curto prazo, principalmente pelo excesso de capacidade ociosa. A situação tende a agravar-se com a entrada em operação de nova capacidade", afirmou Schröder.

O gerente de estudos da também empresa de consultoria internacional CRU, Chris Houlden, declarou que, apesar das exportações siderúrgicas da China (45 milhões de toneladas) representarem apenas 6% de sua produção, "se trata de um volume tão grande que representa quase a totalidade da produção da América Latina".

Segundo um estudo encomendado pela Ternium, as importações latino-americanas de aço chinês aumentaram 18 vezes nos últimos oito anos.

A entrada de produtos siderúrgicos chineses na América Latina foi tão agressiva que, no caso da Venezuela, representam 81% das importações do setor, 64% das chilenas, 41% das peruanas e 29% das brasileiras.

O Brasil importou no ano passado cerca de 1,1 milhões de toneladas de aço da China, segundo os dados do estudo da Ternium.

"A América Latina se transformou em um mercado muito atrativo para a China, que, em muitos casos, aumenta sua oferta de produtos siderúrgicos na região com preços subsidiados e práticas de comércio desleais", comentou Novegil.


O presidente da Ternium disse que a primeira consequência desse processo é a desindustrialização e citou números segundo as quais a participação das manufaturas no Produto Interno Bruto (PIB) da região caiu de 17,1% que tinha em 2000 para 14,8% em 2012.

"O mais grave é que por cada milhão de dólares de produtos de metal e mecânica importados, o Brasil perde 64 empregos capacitados, o México, 63 e a Argentina, 48. Nos últimos anos, Brasil, México, Argentina e Colômbia perderam quatro milhões de empregos por seu déficit na balança comercial siderúrgica com a China", declarou.

Para Schröder, em longo prazo a situação pode ser diferente porque se prevê que o consumo de aço da China aumente de 624 milhões de toneladas de 2011 até 720 milhões de toneladas em 2016 e chegue a 861 milhões de toneladas em 2021.

O consultor considera que a região só poderá elevar sua produção em curto ou médio prazo se conseguir aumentar sua demanda interna, que é de apenas 128 quilos de aço per capita, quase 100 quilos abaixo da média mundial.

O Instituto Aço Brasil, organizador do congresso, prevê que o Brasil elevará sua produção de aço em 5,8% este ano, até 36,5 milhões de toneladas, já que as vendas internas devem crescer 7,6% e compensar a queda de 8,8% das exportações.

"A solução dos problemas da indústria brasileira do aço está no Brasil, dentro de casa", assegurou o presidente do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil, Albano Chagas Vieira. 

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