Economia
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Economistas rejeitam proposta de moeda comum da América do Sul

rasil e Argentina buscam recomeçar as discussões sobre a formação de uma moeda comum para transações financeiras e comerciais

Olivier Blanchard: ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional chamou a proposta “insana” (mtcurado/Getty Images)

Olivier Blanchard: ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional chamou a proposta “insana” (mtcurado/Getty Images)

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Bloomberg

23 de janeiro de 2023, 17h54

Grandes economistas rejeitam a ideia de criação de uma moeda comum por Argentina e Brasil, dizendo que a ideia lançada pelos presidentes de ambos os países no domingo enfrentaria muitos obstáculos práticos antes de se tornar realidade.

Mohamed El-Erian, economista-chefe da Allianz SE e colunista da Bloomberg Opinion, escreveu no Twitter que as duas maiores economias da América do Sul não estão em condições de fazer a ideia dar certo, dadas as condições atuais, e que a implementação de uma moeda comum está “longe de ser provável”.

John Barrdear, economista do Banco da Inglaterra, disse que uma união monetária entre os dois países seria “ambiciosa”, e o ex-presidente do Banco Central do Chile José De Gregório disse que o Brasil arriscaria sua política monetária sólida ao vincular sua moeda à Argentina: “Não faz muito sentido”, disse à Rádio Infinita.

Olivier Blanchard, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, chamou a proposta “insana”.

Brasil e Argentina buscam recomeçar as discussões sobre a formação de uma moeda comum para transações financeiras e comerciais, escreveram os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Alberto Fernández em um artigo conjunto no jornal argentino Perfil, antes de uma cúpula regional que acontecerá em Buenos Aires esta semana.

Embora a proposta vise impulsionar o comércio regional e a integração dos países, ela enfrenta inúmeros obstáculos políticos e econômicos antes de se tornar realidade. Tentativas semelhantes nas últimas décadas não conseguiram ganhar força em meio à instabilidade macroeconômica e mudanças de governo.

Inflação anual de quase 100% na Argentina em comparação com 5,8% do Brasil e a rápida depreciação do peso nos últimos anos são um desafio imediato à ideia de uma moeda comum, entre outros diversos obstáculos.

O que diz a Bloomberg Economics:

“A ideia de uma moeda única sul-americana – ou mesmo apenas para Brasil e Argentina – carece de mérito e vem em mau momento. A região não tem condições de justificar e sustentar uma moeda única: não há mobilidade de trabalho e capital, há rigidez de preços e salários em vários países, os ciclos econômicos não são síncronos e a maioria dos países da região não tem o espaço fiscal para arcar com as transferências fiscais exigidas por esse tipo de mecanismo.”

— Adriana Dupita, economista para Brasil e Argentina

Mesmo que seja difícil ver uma moeda unificada Argentina-Brasil tão cedo, a ideia ainda gerou uma série de comentários diferentes nas mídias sociais. Brian Armstrong, diretor executivo da Coinbase Global Inc., uma bolsa de criptomoedas de capital aberto, sugeriu que os países da América do Sul deveriam adotar o Bitcoin a longo prazo.