Economia

Christine Lagarde pede moderação no salário de executivos

Recompensas não devem estar atreladas a ações de curto prazo e tomadas de risco excessivas


	Lagarde: "O que se precisa é de uma cultura que leve os banqueiros a fazer o que é certo, inclusive quando ninguém está olhando", diz a diretora.
 (Yuri Gripas/Reuters)

Lagarde: "O que se precisa é de uma cultura que leve os banqueiros a fazer o que é certo, inclusive quando ninguém está olhando", diz a diretora. (Yuri Gripas/Reuters)

DR

Da Redação

Publicado em 6 de maio de 2015 às 16h53.

Washington - A diretora geral do FMI, Christine Lagarde, pediu, nesta quarta-feira, maior moderação nos salários dos executivos de empresa, especialmente dos bancos.

"Os incentivos vinculados a práticas de compensação devem mudar, para que as recompensas não estejam atreladas a ações de curto prazo e tomadas de risco excessivas", disse Lagarde em um fórum em Washington.

"Os pacotes de compensação podem se estruturar para favorecer os desempenhos a longo prazo e a solidez da empresa", acrescentou.

Lagarde apontou a possibilidade de que se apliquem sistemas em que as instituições financeiras cancelem o pagamento a executivos cujas ações gerem maus desempenhos da empresa e a obriguem a buscar ajuda governamental.

Também disse que é preciso dar mais poderes aos acionistas sobre a remuneração dos dirigentes.

Lagarde afirmou que estudos do FMI sobre 800 bancos de 72 países mostraram que os que permitem que seus acionistas se pronunciem sobre as remunerações dos dirigentes passou de 10% em 2005 a 80% atualmente.

Advertiu que modificar os acordos de pagamento e endurecer a regulação não são o suficiente para reduzir os riscos excessivos assumidos pelos bancos, como os que causaram a crise financeira de 2008.

"O que se precisa é de uma cultura que leve os banqueiros a fazer o que é certo, inclusive quando ninguém está olhando", ressaltou.

Segundo Lagarde, incluir mais mulheres nos cargos de direção das empresas pode contribuir.

"Que haja mais mulheres líderes. Isso também ajudaria. Muitos estudos mostram que a liderança feminina é mais inclusiva", afirmou.

Finalmente, a diretora lembrou que 2 bilhões de pessoas no mundo ainda não têm conta bancária, motivo pelo qual deve-se lutar contra a "exclusão financeira".

Acompanhe tudo sobre:Christine LagardeEconomistasFMISalários de executivos

Mais de Economia

Os bastidores do evento que reuniu lideranças em NY para debater os caminhos do Brasil

China promete manter fortalecimento da cooperação bilateral com o Irã, em reunião de ministros

Ativos do Sicoob crescem 25% e encerram 2023 em R$ 298,4 bilhões

BNDES anuncia crédito de R$ 500 mi a fornecedores de materiais e equipamentos para SUS

Mais na Exame