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Brasil está ficando velho antes de ficar rico, afirma Marcos Lisboa

Em entrevista ao Canal UM BRASIL, economista Marcos Lisboa alerta para a gravidade de se sacrificar produtividade em prol de grupos ineficientes

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Marcos Lisboa: o economista lembra que o problema da participação do governo não é a criação de uma política setorial, mas a falta de clareza no que é almejado pelo investimento (Um Brasil/Divulgação)

Marcos Lisboa: o economista lembra que o problema da participação do governo não é a criação de uma política setorial, mas a falta de clareza no que é almejado pelo investimento (Um Brasil/Divulgação)

A história econômica do Brasil, nos últimos 40 anos, tem sido marcada por baixo crescimento, alta volatilidade e graves crises. Segundo o economista Marcos Lisboa, em decorrência das escolhas que faz, o País enfrenta entraves imensos para conseguir avançar com a produtividade e remanejar melhor os recursos disponíveis. O saldo disso é empobrecimento contínuo, gastos abundantes com a ineficiência e um ambiente de negócios enfraquecido.

“Nos melhores anos — entre o fim dos anos 1990 e começo dos anos 2000 —, apenas ‘andamos’ na média do mundo, mas em situação bem pior do que outros países emergentes. Isso ocorre porque a produtividade não cresce. Não conseguimos produzir e gerar mais renda e bem-estar com a mesma quantidade de capital de trabalho. Não somos bons em crescimento econômico, mas somos bons em gerar crises e inflação, assim como em distribuir subsídios e benefícios para grupos privados”, adverte.

Em entrevista ao Canal UM BRASIL — uma realização da FecomercioSP —, Lisboa avalia que o País enfrenta a mesma situação de outros países pobres, ao proteger empresas ineficientes, de forma que os recursos produtivos valiosos (pessoas, capital, trabalho, espaço físico, máquinas e equipamentos) sejam concentrados nesses negócios por meio de uma série de medidas públicas que lhes asseguram tributação diferenciada, proteção contra o comércio exterior, subsídios, entre outras. “Continuamos com as benesses usuais para quem não consegue ser competitivo e a quem gera baixo valor [agregado]”, argumenta.

Na entrevista, comandada pela jornalista Thais Herédia, o economista lembra que o problema da participação do governo não é a criação de uma política setorial, mas a falta de clareza no que é almejado pelo investimento. “Não foi isso que vimos o BNDES fazer na década passada. Muitos projetos foram distribuídos ao setor privado sem que tivéssemos um grande plano de conteúdo nacional, além de industrialização e crescimento econômico que tenham dado certo. Todos os projetos fracassaram. Essas políticas de desenvolvimento setorial podem ser bem-sucedidas, mas precisam de um diagnóstico claro, um desenho, uma governança e saber onde realizá-las.”

Reformas chegaram muito tarde

Para Lisboa, o Brasil perdeu o prazo para equilibrar o bônus demográfico com o crescimento econômico. “Demoramos demais a escolher um caminho melhor. O nosso bônus já foi. O País está envelhecendo antes de ficar rico. Os demais países que enriqueceram aproveitaram esse período para ampliar a produtividade e a qualidade de vida. A má notícia para nós é que algumas reformas vieram tarde demais, a da Previdência é uma delas — que veio com 20 anos de atraso e ainda foi insuficiente. As reformas do mercado de crédito também. Além disso, montamos agências reguladoras tarde demais, e elas foram rapidamente fragilizadas”, enfatiza. Esse fato, segundo ele, trará problemas graves ao quadro fiscal brasileiro nas próximas décadas.

Voluntarismo autoritário

No bate-papo, Lisboa ainda enfatiza que temos um Estado muito caro, avaliado pelo que faz para si mesmo, e não pela qualidade que entrega ao cidadão. “Temos um Judiciário muito caro, ao custar 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB), e ineficiente, que acha que entende de temas técnicos, que afasta a lei para impor a própria decisão. Contudo, esse voluntarismo autoritário também existe no Legislativo”, conclui.

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