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BC deve manter taxa de juros, mesmo com decepção do PIB, diz Esteves

Novos cortes na Selic não devem ter o mesmo efeito catalizador sobre o produto interno bruto, que deve ficar em torno de 2% em 2020

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Esteves, do BTG: "na verdade, eu nem teria feito o último corte. Teria acompanhado a acomodação do câmbio e a realocação do crédito, uma verdadeira tectônica" (Alan Teixeira/Divulgação)

Esteves, do BTG: "na verdade, eu nem teria feito o último corte. Teria acompanhado a acomodação do câmbio e a realocação do crédito, uma verdadeira tectônica" (Alan Teixeira/Divulgação)

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Natália Flach

Publicado em 19 de fevereiro de 2020 às, 10h55.

São Paulo - A possível decepção com o crescimento econômico não deve levar o banco central a reduzir novamente os juros básicos do país, que hoje estão em 4,25% ao ano. Essa é a percepção de André Esteves, sócio e fundador do BTG Pactual (controlador de EXAME). O motivo é simples: novos cortes na Selic não devem ter o mesmo efeito catalizador sobre o produto interno bruto (PIB), que deve ficar em torno de 2% em 2020. "Já estamos na potência máxima ou muito próximos dela", disse ele sobre o poder da política monetária expansionista, durante evento realizado pelo banco, nesta quarta-feira (19).

Para ele, o crescimento brasileiro deve vir do mercado de capitais, da saída do setor público para a entrada do setor privado e do avanço do crédito. "Na verdade, eu nem teria feito o último corte (de 0,25 ponto percentual, em fevereiro). Teria acompanhado a acomodação do câmbio e a realocação do crédito, uma verdadeira tectônica."

De fato, a escalada do dólar tem provocado um ponto de interrogação sobre seus impactos sobre a inflação e consequentemente sobre o PIB em todo o mercado. "Os agentes têm visto com certa surpresa a força do dólar. Se compararmos a paridade de poder de compra entre as moedas, o real parece barato. Até porque o real se desvalorizou 8% neste ano com uma inflação de 3% a 3,5%, ou seja, estamos dando 5% de câmbio para a economia", afirmou. "Até 200 anos atrás, isso significaria um movimento contracionista. Só que o câmbio está se desvalorizando por questões externas e domésticas, mas o risco-país continua baixo e a bolsa está subindo."

Esse descasamento se explica, em parte, segundo Esteves, porque o dólar está se valorizando frente a todas as moedas. O motivo é que a perspectiva de avanço econômico dos Estados Unidos supera a das demais economias - não o crescimento nominal, é claro, que continua sendo liderado pela China. E, no longo prazo, câmbio reflete crescimento.

Há também um componente doméstico. "Os agentes financeiros estão se adaptando a esse novo patamar de juros. O real sempre foi moeda de carrego (carry trade) e não de financiamento, mas houve mudança desse status e, com ela, uma realocação." Isso gera uma pressão por desvalorização que, em algum momento, vai acabar. A questão é se o ponto de equilíbrio será em 4,30 reais ou em outro patamar.

Para Esteves, o Brasil vai crescer o que ele chamou de "estabilidade", que é algo entre 2% e 3%, já que o país não está "qualificado para um crescimento a partir da produtividade". "Se crescermos 4% ou 5%, vamos ter problema inflacionário." Nesse caso, o BC teria de intervir nos juros - aumentando a Selic.

 

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