Hambúrguer sabor picanha?

Cuidado! O marketing é a voz de uma empresa e reflete o que é realmente o seu propósito como negócio.
 (McDonald's/Divulgação)
(McDonald's/Divulgação)
Por Relacionamento antes do MarketingPublicado em 02/05/2022 09:40 | Última atualização em 29/04/2022 17:04Tempo de Leitura: 3 min de leitura

Por Márcio Oliveira

É incrível como ainda existem empresas que parecem gostar de andar sobre a tênue linha que define se uma propaganda é enganosa ou não, por isso, tento imaginar sempre qual a intenção dela ao se sujeitar a fazer uma comunicação que pode ser tão facilmente contestada.

Há alguns dias, soubemos do caso do McPicanha, do McDonald´s, que de picanha só tem mesmo o nome e o “sabor” do molho. O caso foi denunciado no Procon, foi para as redes sociais, virou meme, o McDonald´s teve que se retratar e foi obrigado a retirar o sanduíche do menu. Um roteiro já conhecido.

Considero o McDonald´s uma ótima marca e que sabe trabalhar seu marketing com maestria, mas mesmo empresas assim podem tropeçar. E o tropeço aqui está em ter caído na tentação de fazer algo parecer melhor do que realmente é e assim, induzir o consumidor ao erro de interpretação. Colocar a palavra picanha no nome do sanduíche claramente vai induzir o consumidor a achar que a carne é de picanha e não importa se as letras pequenas dizem que apenas o molho é que tem o “sabor” da carne. Ninguém lê as letras pequenas.

Aliás, as letras pequenas nas propagandas, que servem para a “defesa” ou detalhamento de uma oferta deveriam de uma vez por todas ser abolidas das comunicações, afinal, se uma propaganda é verdadeira, não haveria necessidade de colocar explicações em letras miúdas que como disse, nunca são lidas. Isso inclusive já é previsto no Código de Defesa do Consumidor e alvo de muita discussão na justiça.

Mas o McDonald´s não está sozinho nisso, claro. Destacar a parte boa de um produto e esconder a regra ou uma condição explicativa é uma péssima prática comum no mercado, mas que nos dias de hoje é muito arriscada e pode acabar com a reputação de uma marca. Aliás, os conceitos do ESG valem também para o marketing, afinal, ele é a voz da empresa e reflete seu propósito.

O ponto principal aqui, é que parece que muitas empresas não entenderam ainda que o consumidor mudou e tem muito mais poder em suas mãos para conferir o que as marcas falam ou prometem. Mais ainda, existem grupos de consumidores ávidos para descobrirem tropeços das marcas apenas para poderem colocar em suas redes sociais e ganharem likes.

Por isso, deixo um conselho para as empresas. Pensem bem antes de fazerem qualquer escolha que gere dúvidas ou levem seus consumidores ao engano. O ideal mesmo é que as escolhas feitas na comunicação sejam porque vocês querem ser íntegras no relacionamento com eles, mas se não for, que seja por medo de arruinarem a reputação da marca mesmo.

E finalizo convidando você a ler um artigo que coloquei aqui no ano passado, falando sobre o marketing e a integridade nos negócios, e que ajuda a entender um pouco estes comportamentos das empresas.