(Montagem EXAME)
Panorama Econômico
Publicado em 7 de abril de 2026 às 21h40.
Por Bernardo Goldsztajn*
Em tempos de volatilidade no mercado financeiro, muitas pessoas veem apenas perdas, notícias assustadoras e gráficos em queda. Mas outros enxergam exatamente o contrário: oportunidade. Estão preparadas para aproveitar movimentos de preço e colher ganhos quando o pânico passar.
Volatilidade não é sinônimo de risco absoluto; é sinônimo de movimento. A movimentação amplia dispersões de preço, cria rupturas e forma novos pontos de entrada. Quem está posicionado com estratégias claras e disciplina racional, não afetada pelo emocional, consegue transformar turbulência em vantagem. Já dizia um antigo sócio, atual cliente e grande amigo meu, que o mercado me deu: “Volatilidade é vida”, um grande gestor de volatilidade.
Exemplos práticos: comprar ações de qualidade após correções exageradas; estruturar operações de opções para vender prêmio em mercados nervosos; ou rebalancear carteiras para comprar ativos com desconto.
Posicionamento exige algumas práticas simples:
Montar um plano claro: sempre manter liquidez disponível para aproveitar janelas de compra, saber objetivos, vislumbrar horizonte de investimento e limitar perdas. Limitar o tamanho de posições adequadas e o uso de stop, quando necessário, para gerenciar o risco; seguir regras e não emoções.
Atenção!
Volatilidade oferece oportunidade, mas não elimina risco. Nem toda queda necessariamente será uma boa oportunidade; empresas com deterioração estrutural não se recuperam apenas porque o mercado está em pânico. Além disso, alavancagem ou falta de disciplina podem amplificar perdas. Por isso, preparação e avaliação criteriosa são essenciais.
Crises econômicas são inevitáveis historicamente, sejam originadas por guerras, economia ou fraudes financeiras. Em um mundo cada vez mais complexo, competitivo e protecionista, veremos o que as próximas gerações irão enfrentar em um futuro cada vez mais desafiador.
A vantagem de ter mais de 25 anos de mercado financeiro, cabelos brancos ou falta de cabelos, permite-me atestar momentos que abriram oportunidades, com grandes perdas históricas, como bolha.com, subprime 2008, rebaixamento da nota americana em 2011 e por aí vai. Nesses momentos de estresse de mercado, o comportamental humano emocional sobrepõe-se ao racional, e não deveria ser desta forma, contanto que um bom profissional saiba explicar a relação risco-retorno e o potencial de perda dos ativos financeiros recomendados por ele. De qualquer forma, como dizia minha querida e saudosa avó, na minha tenra infância, em momentos de conforto e carinho: “Não há mal que dure, nem bem que nunca se acabe”.
*Bernardo Goldsztajn é CEO e Head of Wealth Management na Brasil Global Partners, com mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro nacional e internacional, com especialidade em gestão de patrimônio.