Colunista
Publicado em 30 de setembro de 2026 às 20h11.
Durante muito tempo, conhecimento esteve associado a ter respostas.
Hoje, basta uma pergunta para que ferramentas de inteligência artificial organizem informações, analisem dados e apresentem possibilidades em poucos segundos.
Isso representa um avanço enorme. Mas também traz uma provocação: quanto melhores ficam as respostas, mais importantes se tornam as perguntas.
Imagine pedir a uma ferramenta de IA a melhor estratégia para um determinado patrimônio.
Antes de qualquer resposta, existem outras perguntas.
Qual é o objetivo do meu cliente investidor? Qual a sua necessidade de liquidez? Quanto risco ele está disposto a assumir? Quais são seus planos familiares? O que mudou recentemente em sua vida?
Sem esse contexto, uma resposta tecnicamente correta pode não ser a resposta adequada.
E existe uma segunda questão: quanto mais clara, rápida e convincente é uma resposta, mais fácil pode ser aceitá-la sem questionar suas premissas.
Esse comportamento não surgiu com a inteligência artificial.
Na economia comportamental, o excesso de confiança descreve justamente nossa tendência de superestimar o próprio conhecimento ou a capacidade de prever determinados resultados.
No mercado financeiro, isso merece atenção. Investimentos envolvem cenários que mudam, variáveis que não controlamos e decisões para as quais raramente existe uma única resposta correta.
A tecnologia pode ampliar nossa capacidade de analisar essas variáveis. Mas não pode fazer a incerteza desaparecer.
No trabalho do Advisor, boas perguntas sempre fizeram parte da relação com o cliente. Com a IA, essa habilidade se torna ainda mais relevante.
→ Antes de buscar uma solução, entender o problema.
→ Antes de aceitar uma resposta, questionar as premissas.
→ Antes de tomar uma decisão, considerar o contexto.
→ E, diante de uma conclusão convincente, reconhecer o que ainda não sabemos.
A inteligência artificial pode nos ajudar a chegar mais rápido a diferentes caminhos. Mas interpretar esses caminhos e entender qual deles faz sentido continua exigindo contexto, pensamento crítico e julgamento.
Talvez, na era em que as respostas estão cada vez mais acessíveis, uma das competências mais importantes não seja saber tudo.
Seja saber o que perguntar e quando questionar a resposta.