(Ricardo Stuckert/Vittor Sales/Montagem/Flickr)
Colunista na EXAME
Publicado em 3 de outubro de 2026 às 11h44.
O resultado das urnas neste domingo, tanto na eleição presidencial quanto nas disputas estaduais, ditará os rumos de um eventual segundo turno para Lula e Flávio Bolsonaro. As duas equipes avaliam que a tendência de favoritismo por um ou por outro dependerá da combinação desses fatores.
Ainda, a votação da PEC do fim da escala 6x1, marcada ontem por Davi Alcolumbre para a próxima terça-feira no Senado, também deve influenciar a reta final da eleição.
Uma diferença de quatro pontos percentuais entre Lula e Flávio é citada por ambas as campanhas como uma espécie de "linha de corte" para o segundo turno. Para o PT, caso o presidente alcance 4 pp à frente do senador nas urnas, o cenário será avaliado como de favoritismo de Lula para uma reeleição. Uma vantagem menor preocupa o núcleo da campanha, que esperava chegar a esta etapa da eleição com mais distância do segundo colocado.
Para o PL, uma diferença de um a três pontos, ainda que Flávio termine atrás do presidente, praticamente garantiria a virada no segundo turno. Uma ala da campanha trabalha com cenários mais otimistas, de empate já neste domingo, mas essa visão não é consenso na equipe.
O resultado das disputas estaduais e o percentual de votos dos candidatos também são monitorados pelas campanhas e pelos institutos como possíveis fatores de influência no segundo turno, seja pela abstenção, seja pelo desempenho dos candidatos em cada estado.
Bahia, Pernambuco e Ceará são os estados do Nordeste que a campanha petista acompanha com lupa. Os três devem definir seus governadores já no próximo domingo e, por serem redutos do PT, o resultado pode impactar a votação de Lula. Isso pode ocorrer tanto pela vitória de seus candidatos, quanto pela ausência de palanques nas semanas seguintes, o que preocupa diante da taxa de abstenção. Nos três, as pesquisas apontam disputas apertadas e sem um primeiro colocado confortável.
Por outro lado, o desfecho em São Paulo já praticamente dado como certo é um ponto de atenção para o PL. A votação de Tarcísio de Freitas e de Flávio mostrará quanto o presidenciável conseguiu se beneficiar do favoritismo do governador e qual será sua margem de crescimento no segundo turno. A participação mais ativa de Tarcísio na campanha é considerada crucial para que Flávio supere, no estado, o desempenho de Jair em 2022.
Por fim, Minas Gerais, onde ambas as candidaturas concentraram esforços ao longo da campanha, caminha para um segundo turno entre Cleitinho (Republicanos) e Patrus Ananias (PT).
O senador do Republicanos, que lidera as pesquisas desde o início do ano, afirma apoiar Flávio, mas reconhece que possui uma margem expressiva de votos lulistas. Por isso, é possível que não entregue um palanque tão robusto ao PL. Não à toa, a campanha presidencial vem apostando na dobradinha com o deputado Nikolas Ferreira para aumentar a margem no estado.
Minas apresenta, a depender do instituto, uma alternância no líder das pesquisas entre Lula e Flávio, e quase sempre na margem de erro. Por isso, o resultado de domingo será o primeiro termômetro mais concreto da disputa presidencial no estado.
Davi Alcolumbre já sinalizava a alguns senadores a intenção de pautar a PEC no plenário entre o primeiro e o segundo turno das eleições. À época da votação na CCJ, o presidente do Congresso entregou um meio-termo entre a pressão do governo, que almejava ter a matéria concluída até este domingo, e da oposição, que buscou ao máximo postergar o tema para depois do segundo turno, contando com a vitória de Flávio Bolsonaro.
A campanha do PT avalia como uma sinalização positiva de Alcolumbre a Lula. Ainda que não haja garantia de conclusão da PEC antes de encerrar das eleições, seu agendamento coloca o principal projeto do governo na Legislativo de volta aos holofotes.
O PL teve dificuldades para se posicionar contrário a medida na Câmara e no início das discussões no Senado pelo seu alto apelo popular. Por isso, lideranças argumentam que, uma vez pautada já com o novo Legislativo eleito, é possível que os atuais senadores consigam fazer uma oposição ao tema.
A tese, porém, esbarra na própria candidatura de Flávio. No dia da votação da PEC na CCJ em setembro, o senador presidenciável não estava presente na Casa para não correr o risco de se prejudicar eleitoralmente. Uma ofensiva agora por parte do seu partido poderia ter um impacto negativo em sua campanha.