Uma clara mudança nas expectativas

Basta uma leitura mais cuidadosa da mídia para ficar claro que vivemos, neste início de fevereiro, uma mudança nas expectativas dos formadores de opinião sobre a economia em 2017. São editoriais da imprensa escrita e eletrônica e manifestações frequentes de analistas importantes em colunas e entrevistas. Alguns dos mais pessimistas mudaram sua leitura sobre a […]
Por Luiz Carlos Mendonça de BarrosPublicado em 13/02/2017 12:17 | Última atualização em 22/06/2017 17:52Tempo de Leitura: 3 min de leitura

Basta uma leitura mais cuidadosa da mídia para ficar claro que vivemos, neste início de fevereiro, uma mudança nas expectativas dos formadores de opinião sobre a economia em 2017. São editoriais da imprensa escrita e eletrônica e manifestações frequentes de analistas importantes em colunas e entrevistas. Alguns dos mais pessimistas mudaram sua leitura sobre a recuperação cíclica em andamento e, apesar de chamarem a atenção para riscos importantes que rondam o futuro próximo de nosso país, já aceitam que o pior pode ter ficado para trás.

Estas mudanças estão alicerçadas tanto em fatores econômicos como na evolução da dinâmica política no Congresso. A queda sólida da inflação em função da redução da chamada inércia inflacionária, abrindo espaço para uma redução mais vigorosa dos juros pelo Banco Central, certamente foi o mais importante no campo dos fatores econômicos. Mas outras mudanças que vêm ocorrendo também pesaram na construção de um cenário mais otimista. O crescimento atual das economias do primeiro mundo, principalmente nos Estados Unidos e na Alemanha, garante um dinamismo maior fora de nossas fronteiras. Também a China vem apresentando sinais mais sólidos de que voltou a crescer de forma sustentada.

Com isto os preços das commodities voltaram a subir de forma sustentada, melhorando os termos de troca de nossa economia e consolidando o resultado expressivo de nossa balança comercial.

Esta mudança no mercado de produtos primários serve como compensação para uma valorização adicional do dólar americano na eventualidade de um aumento de juros maior do que o esperado pelos mercados para 2017. Um real forte e estável faz parte das expectativas em relação à inflação brasileira ao longo deste ano.

Também na política os últimos meses trouxeram uma maior confiança dos agentes econômicos em relação ao futuro. O governo Temer é visto hoje com olhos mais positivos em relação a seu curto mandato e a possibilidade de um sucesso maior do que o previsto há seis meses atrás na condução das reformas econômicas no Congresso. O governo tem um controle razoável de sua estridente base parlamentar e, com a volta do crescimento econômico ao longo do ano deve fortalecer sua ação junto a classe política.

Também deve pesar a favor de Temer uma melhora de seu apoio popular na medida em que a situação econômica melhore e o fantasma do desemprego junto aos que estão no mercado de trabalho se reduza. Já temos os primeiros sinais de que isto está ocorrendo, sendo que o mais importante deles é o desaparecimento na mídia do discurso do governo golpista cunhado nos primeiros momentos após o impeachment de Dilma Rousseff.

Remanescem ainda os riscos das delações premiadas dos executivos da Odebrecht e outras empreiteiras, mas as Águas de Março encerrando o Verão devem colocar esta questão no seu devido lugar. Continuo com minha expectativa de que o desgaste institucional será menor do que o estimado por jornalistas excitados demais com o que pode acontecer. Mantenho também minha visão de que, na virada do ano, quando a economia já estiver mais forte e a confiança da opinião pública maior no Palácio do Planalto, veremos 2018 e suas eleições com outros olhos.

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