Mercado internacional: mais um sell off

Estamos vivendo mais um ataque de nervos nos mercados financeiros internacionais. O terceiro no espaço de menos de um ano. Uma primeira violenta correção de preços de ativos – juros, taxas de câmbio e preços de ações e commodities – ocorreu na virada de 2015 para 2016, a segunda em junho deste ano e, aparentemente, […]
 (Getty Images/Getty Images)
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Luiz Carlos Mendonça de Barros

Publicado em 12/09/2016 às 11:22.

Última atualização em 22/06/2017 às 18:48.

Estamos vivendo mais um ataque de nervos nos mercados financeiros internacionais. O terceiro no espaço de menos de um ano. Uma primeira violenta correção de preços de ativos – juros, taxas de câmbio e preços de ações e commodities – ocorreu na virada de 2015 para 2016, a segunda em junho deste ano e, aparentemente, agora neste fim de verão no hemisfério norte. Em todos estes momentos o principal detonador do pânico tem sido especulações de que os principais Bancos Centrais do mundo desenvolvido estariam mudando de posição em relação à política monetária fortemente expansionista dos últimos anos.

Em um ambiente de juros de curto prazo próximos de zero, os mercados de títulos públicos e privados de dez anos de prazo se ajustaram para taxas totalmente fora dos padrões – em alguns casos temos juros negativos – provocando grandes mudanças nos preços de ações, moedas e commodities. Rompeu-se assim o banco de dados construídos ao longo de décadas pelos mercados financeiros e ancorando o futuro – de uma forma nunca vista anteriormente – no comportamento do FED e do BCE principalmente. Recentemente, depois do chamado BREXIT, o Banco da Inglaterra juntou-se a este grupo com sua decisão de usar a política monetária como instrumento de acomodar seus efeitos sobre a atividade econômica no Reino Unido.

Vivemos, portanto, um momento único na história das economias de mercado no período que vai do fim da Segunda Guerra Mundial até agora. E isto não é pouco! Portanto creio que o leitor do app da EXAME precisa entender a insegurança que toma conta de analistas e agentes econômicos em relação ao futuro. Por isto estes recorrentes movimentos especulativos que ocorrem com frequência nos principais mercados financeiros internacionais.

No sentido de tentar ajudar no entendimento destes dias que vivemos proponho seguir um roteiro que separe fatores de curto e médio prazo deste verdadeiro conundrum econômico que vivemos hoje. O padrão dos últimos sell offs é muito claro para mim. Depois de um período em que prevalece o entendimento de que a política de juros vai continuar por mais tempo, os mercados mais sensíveis a isto atingem novos pontos de máximo.

No momento seguinte a ansiedade de investidores começa a aumentar criando terreno fértil para que os especuladores se aproveitem de qualquer declaração sobre o futuro para provocar uma queda dos mercados. É o que aconteceu novamente agora com a fala de um importante membro do FED americano às vésperas de mais uma reunião do FOMC, seu comitê de politica monetária. A dúvida destes momentos é sempre a mesma: vai mesmo ocorrer uma mudança radical de rumo como faz entender os movimentos de preços das ações ou commodites, ou vai tudo ficar na mesma e os mercados voltaram a corrigir seus preços?

Nestes momentos é fundamental para o analista separar o joio do trigo, ou seja, procurar ler nos vários mercados os movimentos mais especulativos e os que revelam uma visão mais equilibrada do futuro. Uma forma de fazer esta separação é deixar de lado o comportamento das ações e commodities e focar em três indicadores importantes: a taxa de juros dos títulos do tesouro americano de 10 anos de prazo, a probabilidade calculada pelo mercado para um aumento de juros na próxima reunião do FOMC ainda em setembro e o valor do dólar americano em relação a uma cesta de mercado.

E na abertura do mercado nesta segunda feira, dia 12 de setembro, o pânico não se reflete neles.

Mendonça de barros