É a recuperação cíclica, estúpido

A economia brasileira obedece ao padrão de recuperação que segue ao estouro de uma bolha de consumo criada por excesso de crédito
Por Luiz Carlos Mendonça de BarrosPublicado em 15/08/2017 17:48 | Última atualização em 26/09/2017 15:08Tempo de Leitura: 3 min de leitura

Minha coluna hoje empresta do marqueteiro do ex-presidente Clinton uma expressão que ficou famosa ao chamar a atenção para o verdadeiro motivo pelo qual as pesquisas eleitorais mostravam o favoritismo do candidato democrata. Vivemos hoje no Brasil uma situação muito parecida, com a maioria dos analistas econômicos e jornalistas com o foco errado na dinâmica econômica que vivemos. Acrescentem-se a estes, os órgãos da imprensa que também estão na cruzada de negar ao presidente Temer qualquer possibilidade de sucesso em seu mandato como presidente.

No caso da maioria dos analistas econômicos, a causa do pouco sucesso em suas recentes previsões econômicas está associada a uma forma equivocada de tratar a questão das chamadas expectativas racionais e a reação dos agentes econômicos — de formação mais modesta — que formam a grande maioria dos consumidores brasileiros. Para este enorme público, que é responsável por quase setenta por cento do PIB, as coisas da economia são mais simples e não incorporam as preocupações com o futuro que dominam os pesadelos dos economistas de formação mais conservadora.

Como tenho defendido há bastante tempo, o metabolismo atual da economia brasileira obedece ao padrão de recuperação que segue ao estouro de uma bolha de consumo criada por excesso de crédito. O que aconteceu nos Estados Unidos e na Europa depois de 2008 ajuda muito a entender o que vem acontecendo no Brasil depois que a economia passou a ser administrada com correção pela equipe do ministro Meirelles. Mas para isto é preciso separar, de forma clara e inteligente, a recuperação cíclica dos problemas estruturais e de longo prazo que estão presentes no tecido econômico em nosso país.

Acredito neste cenário e por isto fui sempre acusado de ser um otimista irresponsável e um economista que precisava de reciclagem teórica. Colho agora os frutos da perseverança com minha forma de acompanhar a economia de uma sociedade como a brasileira. Os resultados medidos pelo IBGE sobre as vendas ao varejo nos últimos meses — e reafirmado pelos números de junho último — somam-se a outros indicadores que mostram que já estamos na fase de recuperação da atividade econômica.

Como sempre ocorre nestes momentos de incerteza quanto ao futuro, os mercados financeiros vêm antecipando a recuperação, como mostram os índices da BOVESPA nos últimos meses. Recuperado do susto da denúncia da JBS, os investidores voltaram às compras e, quando escrevo esta coluna, estamos perto do ponto de máxima deste ano. O mesmo ocorre com os juros e o CDS, medida da taxa de risco do país nos mercados externos. Tudo isto apesar da quase histeria como está sendo tratada a questão do déficit fiscal deste ano e do próximo.

Felizmente o cenário político que começa a ser desenhado para as eleições de 2018 traz esperanças de que o próximo presidente poderá tratar dos ajustes mais estruturais necessários para voltar a uma trajetória de crescimento sustentado. Quando adicionada esta expectativa eleitoral ao quadro de recuperação cíclica, a trajetória mais otimista para nossa economia vai ganhar força e fazer do próximo ano realmente um ponto de inflexão no drama que vivemos depois do governo irresponsável e catastrófico da presidente Dilma Rousseff.

Os candidatos que estão preparando um discurso eleitoral baseado na crise econômica duradoura vão ter uma surpresa quando chegarmos mais perto das eleições do ano que vem. Da mesma forma, ficarão surpresos os que não acreditaram na possibilidade de recuperação do governo Temer em seu último ano de mandato.