Colunistas

Roberto Troster: “Um ambiente macroeconômico ruim encolhe horizontes”

Economista comenta queda do Brasil no Ranking Global de Competitividade

IM

Instituto Millenium

Publicado em 18 de outubro de 2018 às 11h37.

Priorizar nos meus resultados Google

A falta de integração aos mercados globais colocou o Brasil na 72ª posição entre os 140 países avaliados no Ranking Global de Competitividade, três pontos abaixo em relação à listagem de 2017. No ambiente macroeconômico, o país ocupou a 122ª colocação, e levou o 108º lugar na categoria dinamismo empresarial. O pior resultado, no entanto, foi em relação à carga de regulação do setor público, assumindo a última posição. As classificações foram divulgadas nesta semana pelo Fórum Econômico Mundial (FEM) em parceria com a Fundação Dom Cabral.

Para o economista e especialista do Instituto Millenium, Roberto Luis Troster, devido à baixa competitividade brasileira, muitas empresas acabam exportando empregos para outros países. O mesmo acontece com os investidores externos, que escolhem estados vizinhos para expandir seus negócios, prejudicando o crescimento econômico brasileiro. “O produto potencial (PIB) do Brasil é um ponto inferior ao resto do mundo. Ele representa a capacidade de crescimento do país, ou seja, estamos crescendo menos e não melhoramos nossa capacidade”, ressalta. Ouça a entrevista abaixo!

[soundcloud url="https://api.soundcloud.com/tracks/516175671?secret_token=s-LS9lb" params="color=#ff5500&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false&show_teaser=true" width="100%" height="166" iframe="true" /]

O especialista explica que, apesar dos empresários brasileiros serem muito competentes no ambiente de negócios, estão presos a um quadro institucional ineficiente. A política protecionista brasileira impede a concorrência internacional e competitividade, criando “empresas dinossauros, que ao primeiro choque acabam quebrando”, diz. Para ele, um dos fatores que atravancam o desenvolvimento do setor comercial é a burocracia:

Veja mais
Samuel Pessôa: “Investimento privado deve ser prioridade”
Silvia Matos: “Fatores de produção são usados de forma ineficientes no Brasil”
Fábio Giambiagi: “Está na hora de encarar o desafio fiscal que temos pela frente”

“O mundo está se transformando rapidamente e isso obriga as empresas a se adaptarem às mudanças. Na medida em que temos dificuldades para mudar, os outros têm mais vantagens. Há 30 anos, o Brasil tinha 4% do PIB mundial, hoje tem 2,5%. As barreiras para produzir são grandes, fora as contingências. O empresário tem que preencher documentos por meses até abrir uma empresa. Ao invés de todos terem um só número de identificação, temos vários: CPF, RG, PIS, Carteira de Trabalho. Cada banco, Polícia Federal e Justiça Eleitoral faz outro número de identificação. Quer dizer, continuamos com mais e mais regulamentações num mundo que foca em ser eficiente”.

O próximo governo que assumir o país encontrará um cenário desafiador, com uma estabilidade macroeconômica que está entre as mais frágeis do mundo. Na opinião do economista, há boas intenções para a abertura comercial nos programas de governo dos atuais candidatos à Presidência, mas ainda insuficientes:

“Se o Brasil tem ambições de empregar mais, tornar-se o país potência que todos sonhamos, é muito importante que mude rapidamente. Este tem que ser o foco do governo: competitividade. Capacidade e desejo nós temos, agora falta a decisão de fazer acontecer”.

Veja mais no Instituto Millenium