Instituto Millenium
Publicado em 18 de dezembro de 2013 às 13h36.
Última atualização em 24 de fevereiro de 2017 às 08h41.
Além do projeto de lei, que torna facultativo ao Poder Executivo bancar os gastos dos entes federados, a chamada “contabilidade criativa” e a PEC do Orçamento Impositivo também permitem o afrouxamento do limite de gastos do governo. Segundo Schmitz, essas ações dificultam o controle da inflação e afastam os investidores. “A legislação, que dava ainda uma certa segurança, está sendo alterada. Que garantia se pode dar a um investidor? ”, argumenta. Leia a entrevista:
Instituto Millenium: Qual é a sua opinião sobre esse projeto de lei?
Sandro Schmitz: Em primeiro lugar, é uma tentativa bem clara de romper com a Lei de Responsabilidade Fiscal, considerando que desde o primeiro governo Lula essa atitude já era uma meta do governo. Não me surpreendeu nem um pouco quando soube da proposta. Em um segundo momento, trata-se de uma homenagem à irresponsabilidade política do governo. É como um cheque em branco que o Poder Executivo recebe. Na verdade, é uma consequência direta das maquiagens que o governo vem fazendo nos últimos anos, por não cumprir o superávit primário. No ano passado, o governo precisou fazer uma série de manobras contábeis para dizer que havia conseguido fechar as contas, agora não precisará mais recorrer a tais artifícios. O governo ficará autorizado pela lei a não cumprir com o superávit primário. O limite está rompido. Extremamente conveniente, principalmente em ano pré-eleitoral.