(Vini Dalla Rosa/ Fórum da Liberdade)
Instituto Millenium
Publicado em 10 de abril de 2026 às 21h37.
Maioridade penal, privatizações, foro privilegiado. Quais são os temas nos quais os parlamentares, de fato, representam a população? E em quais deles as opiniões estão descoladas e mais preocupadas com o próprio umbigo? Nesta quinta (09), no Fórum da Liberdade, em Porto Alegre, o Ranking dos Políticos e o Futura Inteligência apresentaram um painel com esses dados. O evento deste ano teve 7 mil participantes, um recorde histórico em seus 39 anos de existência.
Temas de forte apelo tanto entre a bolha parlamentar quanto no eleitorado têm maior chance de virar lei ou política pública — e um deles é a redução da maioridade penal. Segundo a pesquisa do Futura, 74,5% da população brasileira é favorável a essa mudança, posição que encontra eco no Congresso. De acordo com levantamento do Ranking dos Políticos, 61,1% dos atuais deputados federais e 70% dos senadores também defendem a redução da maioridade penal. O tema deve ganhar ainda mais força no debate eleitoral, já que segurança pública segue como um dos principais gargalos do país, com forte percepção de insegurança e injustiça por parte da população.
O movimento é semelhante quando o assunto são as privatizações, embora as perguntas não tenham sido exatamente as mesmas para parlamentares e população. Entre os brasileiros, há uma leve inclinação favorável: 48,6% se dizem a favor das privatizações, contra 45,2% contrários. Já entre os parlamentares, 57,4% dos deputados e 43,3% dos senadores afirmam apoiar a privatização de estatais, com exceção das consideradas estratégicas. A esse grupo se somam 15,7% dos deputados e 30% dos senadores que defendem a privatização de todas as estatais.
Quando o tema envolve as próprias regras do jogo, no entanto, a distância aparece. Enquanto 98% da população defendem o fim do foro privilegiado, apenas 35,2% da Câmara e 23,3% do Senado apoiam essa mudança. O mesmo ocorre em relação à reeleição. A população rejeita a atual regra reeleições ilimitadas (96%), e o Congresso também — mas apenas para o Executivo. Quando se trata dos próprios mandatos, a maioria dos parlamentares não defende restrições. Apenas 11,1% dos deputados e 26,7% dos senadores apoiam o fim da reeleição para todos os cargos. Hoje, não há limite de mandatos para nenhum cargo, apenas a restrição de duas eleições consecutivas para chefes do Executivo.
Entre os políticos, a direita se mostrou mais disruptiva do que a esquerda, não apenas em temas ideológicos, como maioridade penal e privatizações, mas também em pautas institucionais, como reeleição e foro privilegiado. Nesses pontos, há ao menos alguma defesa de alteração, enquanto a esquerda tende a manter o modelo atual.
Já entre a população, a maioria se identifica com a direita (37,1%, contra 17,8% que se dizem de esquerda). “O brasileiro é mais à direita do que se imagina. Ele é mais liberal na economia e conservador nos costumes”, apontou Júlia Tavares, gerente de negócios da Apex Partners, grupo do qual faz parte a Futura Inteligência.